Cliente da internet 3G reclama da baixa velocidade

Marcelo Moreira

14 de junho de 2009 | 20h45

LIGIA TUON – JORNAL DA TARDE

Os consumidores do serviço de conexão à internet pela tecnologia 3G têm encontrado dificuldades para usufruir do serviço da maneira como ele é anunciado pelas empresas. A tecnologia 3G (de terceira geração) permite ao usuário acessar a internet de qualquer lugar através de celulares e notebooks, em alta velocidade.

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) registrou, de janeiro a maio deste ano, 6.405 reclamações sobre o baixo desempenho da tecnologia 3G só no Estado de São Paulo.

De acordo com a pesquisa, o aspecto que mais deixou a desejar é a velocidade, que fica abaixo do prometido, seguido da impossibilidade de conexão e da queda do serviço.

O estudante Victor Ranzatti que assina o plano 3G da Claro nunca conseguiu usar nem os 30% da velocidade prometidos no ato da contratação. ” Todas as vezes que mudo de cidade ou de antena, o sinal diminui e fica impossível acessar a internet”, reclama.

Consultada, a Claro informou que não identificou irregularidades na rede que impeçam que o cliente utilize os serviços.

A empresa disse ainda que fatores externos podem influenciar a velocidade de conexão, e que garante ao assinante o mínimo de 10% da velocidade nominal contratada.

Na Coluna Advogado de Defesa do JT, a Claro fica em primeiro lugar no ranking de reclamações quando o assunto é tecnologia 3G. De janeiro a junho deste ano, foram registradas 29 e-mails de consumidores descontentes com esta operadora, contra seis da TIM, cinco da Vivo e um da Oi.

De acordo com Marcelo Sampaio de Alencar, professor do departamento de engenharia elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (PB), a decepção dos consumidores se dá muitas vezes pelo fato de as operadoras divulgarem em suas propagandas a velocidade alcançada na fase de testes, quando poucas pessoas usavam os serviços.

“O máximo que o usuário pode obter em situações especiais é impossível no seu dia a dia”, afirma.

Outro motivo que pode explicar as constantes falhas no serviço, segundo Sampaio, está ligado à falta de investimentos das operadoras na área. “As empresas costumam aceitar um número muito maior de assinantes do que sua estrutura pode comportar.”

Ainda não existe um detalhamento entre as metas de qualidade da Anatel que regulamente a banda larga em telefonia móvel no País. Mesmo assim, a Agência ressalta que o cliente deve ficar atento às propagandas veiculadas pelas operadoras e ao teor do contrato. Acrescenta ainda que, quando há propaganda enganosa, o consumidor tem direito a cancelar o contrato sem multa.

Além de creditarem as falhas de velocidade e conexão a fatores externos – como área de cobertura, condições topográficas ou climáticas –, as operadoras fizeram outras considerações.

A TIM informou que, por se tratar de uma tecnologia móvel, suscetível a esses fatores, não é possível garantir velocidade mínima de conexão e transferência de dados. Acrescentou ainda que o desempenho da tecnologia 3G no Brasil é similar ao dos demais países que a utilizam.

A Vivo destaca que disponibiliza a internet 3G por perfil de uso de dados mensais, e não por tempo de navegação ou velocidade. Por isso, todos os clientes têm direito à mesma velocidade que pode ser suscetível a variações.

Para a Oi, seu serviço 3G tem tido ótima aceitação no Estado de São Paulo. A empresa acrescentou que dispõe de uma rede nova e com capacidade para receber um número crescente de clientes.

A tecnologia de terceira geração, a chamada 3G, chegou oficialmente ao Brasil em 2007, quando ocorreram as primeiras licitações entre as operadoras. Em junho de 2008, eram 1,989 mil usuários e, em abril último, a Anatel registrava 4,9 milhões.

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