Celular: várias linhas, um dono

Marcelo Moreira

15 de julho de 2009 | 20h04

CAROLINA DALL’OLIO – JORNAL DA TARDE

Os consumidores estão descobrindo as vantagens de ter mais de uma linha de celular. Hoje, das 157 milhões de linhas de telefonia móvel existentes no Brasil, 100 milhões pertencem a usuários únicos (donos de apenas um número).

As outras 57 milhões estão nas mãos de clientes que possuem mais de uma linha e usam cada chip conforme sua conveniência, segundo estudo da consultoria norte-americana Yankee Group.

Gastar menos é a principal justificativa para adquirir a segunda linha. A maioria das operadoras oferece descontos nas ligações entre telefones da mesma empresa – em alguns casos, até de graça.

“Isso motiva o usuário, que sabe que vai economizar sem ter de abrir mão do seu outro número”, destaca Ethevaldo Siqueira, consultor de tecnologia.

As operadoras já percebem o crescimento do número de usuários com mais de uma linha celular. “Tem se tornado cada vez mais comum, mas o chip de maior uso continua sendo o da comunidade em que a pessoa reúne mais contatos”, diz Bernardo Winik, diretor de Operações e Consumo da Claro.”Quem compra o segundo chip quer tirar proveito das promoções”, afirma Leandro Rocha de Andrade, diretor de Business Intelligence da Vivo.

A economia na conta telefônica foi justamente o que motivou o representante comercial Paulo Diogo Costa, de 28 anos, a comprar um chip de outra operadora. A namorada é cliente da Claro. Ele, da Vivo.

“Comprei um chip pré-pago da Claro para poder falar com ela, porque ela podia me ligar de graça, mas continuei usando meu outro número pessoal para falar com os amigos e a família”, relata Costa, que tem ainda uma terceira linha em um segundo aparelho celular – esse é para atender os clientes. “Agora, cada número tem a sua função”, explica.

José Luiz de Oliveira Souza, consultor da Teleco, especializada em telecomunicações, diz que é cada vez maior o número de profissionais que têm um celular para o trabalho, um pessoal e um terceiro, só para os mais próximos.

“É o telefone que está sempre ligado, mas que, em geral, é um número que a pessoa divulga só para os mais íntimos, que vão poder achá-la sempre”, afirma Souza.

Para quem costuma viajar e quer se comunicar com as pessoas da cidade em que vai visitar, a compra de uma outra linha pode valer a pena – o chip custa, em média, R$ 35. Uma segunda linha também pode ser útil para compensar problemas de cobertura.

Especialistas em tecnologia dizem que há várias regiões de São Paulo em que algumas operadoras de celulares não funcionam tão bem quanto as outras – são as chamadas áreas de sombra.

Porém, para que a compra de outra linha não se transforme em aumento das despesas, é recomendável que ao menos o segundo telefone seja pré-pago – assim só há gasto com uso.

Caso a principal utilidade da segunda linha seja receber chamadas, será necessário comprar um outro aparelho celular, para não correr o risco de perder uma ligação. Mas se o intuito for ligar, aí basta desbloquear o seu aparelho atual e trocar de chip quando precisar.

VALE A PENA?

VANTAGENS

  • Falar com desconto (ou de graça) com alguém para quem se telefona com frequência

  • Para ter privacidade, e divulgar o novo número para poucos

  • Para falar com pessoas de outra cidade, quando estiver no local, sem pagar interurbano

  • Para nunca ficar sem cobertura

  • DESVANTAGENS

  • Desbloquear o aparelho e comprar um chip (custa R$35)

  • Ou ter de carregar mais de um aparelho, caso queira estar sempre pronto para receber ligações

  • Comentários

    Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.