Celular: o mais reclamado nos Procons

Marcelo Moreira

11 de dezembro de 2008 | 23h16

RENATA VERÍSSIMO – O ESTADO DE S. PAULO
ELENI TRINDADE – JORNAL DA TARDE
SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

As empresas de telefonia e as fabricantes de aparelhos celulares elevaram o porcentual de reclamações que não foram solucionadas mesmo depois de o consumidor procurar o Procon.

É o que mostram os resultados do Cadastro Nacional das Reclamações Fundamentadas 2008 divulgado pelo Ministério da Justiça (MJ). Por causa dessas empresas, o porcentual geral de reclamações não atendidas subiu de 18% para 22,4% no último ano.

Lideram a lista, nesta ordem, Siemens, Gradiente, Oi, Claro e Brasil Telecom. “Todo o sistema de defesa do consumidor expressa preocupação com essas empresas”, afirmou o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do MJ, Ricardo Morishita.

O período considerado foi entre 1º de setembro de 2007 e 31 de agosto de 2008. Segundo Morishita, o consumidor, ao adquirir um produto da Siemens, deve saber que tem 45% de chance de não ser atendido se tiver um problema, mesmo procurando o Procon.

O diretor destacou, ainda, que existe uma grande disparidade entre os serviços ofertados pela Oi nas campanhas publicitárias e o que é cumprido efetivamente. “Isso acende um sinal amarelo, quase vermelho, em relação a Oi.”

Morishita afirmou também que os órgãos de defesa do consumidor perceberam que os atendentes da Brasil Telecom não têm autonomia para resolver os problemas demandados, o que também acende uma luz amarela.

Pelos dados do cadastro, 36,5% das reclamações recebidas pelos Procons são relacionadas a fabricantes de aparelhos de telefonia celular e 7,81% relacionadas a empresas de telefonia celular. “A telefonia celular é ainda a grande dor de cabeça do nosso consumidor”, afirmou Morishita.

Outros 16,12% das reclamações são contra empresas de cartão de crédito. O cadastro mostra que, embora o setor de fabricação de produtos seja o que recebe maior números de reclamações, é também a que mais atende às demandas dos consumidores.

O cadastro engloba 93.872 reclamações consideradas fundamentadas (para as quais foram abertos processos administrativos) por 19 Procons estaduais e 6 municipais. Morishita informou que deve subir para 23 Procons estaduais o número de participantes. São Paulo ainda não faz parte do Cadastro.

Procurada, a Siemens respondeu em nota que não possui atividades relacionadas à fabricação e venda de celulares desde janeiro de 2006 e que a empresa responsável pelos celulares é a Jutaí Eletroeletrônica, que não tem o direito de usar a marca Siemens.

Além disso, informa a Siemens, desde abril a B2X Care Solutions passou a ser responsável pela assistência técnica e garantia dos celulares Benq Siemens no Brasil.

A Gradiente também foi procurada, mas não comentou o cadastro. A Brasil Telecom informou que “os dados relativos à audiências de conciliação entre clientes e a empresa nos Procons são solucionados em até 95% dos casos em todas as filiais”.

A Claro destacou em nota que é a empresa do setor de telefonia com o menor número de reclamações no Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas 2008 e que todas as demandas do Procon são respondidas, bem como as demais, independente do canal pelo qual são registradas.
A Oi foi procurada, mas não respondeu às solicitações do JT.

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