Carro já tem selo de qualidade

Marcelo Moreira

17 de abril de 2009 | 23h22

ELENI TRINDADE – JORNAL DA TARDE

Um selo de qualidade e certificação. Essa é a novidade que os consumidores encontrarão ao comprar carros zero quilômetro.

O selo será expedido pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e pelo Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural (Conpet) do governo federal.

Por meio de uma etiqueta semelhante à que é vista em eletrodomésticos, como geladeiras, o comprador poderá saber se o veículo gasta muito ou pouco combustível. A classificação dos carros será de A a E, isto é, do mais eficiente (A) para o menos eficiente (E).

“O programa vai fornecer informações confiáveis aos consumidores para eles façam uma escolha levando em conta não somente a economia, mas o meio ambiente, pois significa que o veículo gasta menos combustível e polui menos”, afirmou João Jornada, presidente do Inmetro.

As montadoras Fiat, Chevrolet, Honda, Kia e Volkswagen já se inscreveram nos programas com 31 modelos de cinco categorias (sub-compacto ou pequenos, compacto, médio, grande e carga).

“Os carros já sairão de fábrica com a etiqueta e os consumidores já encontrarão nos próximos dias veículos com a certificação de eficiência”, garantiu Jornada.

Certificação voluntária

o programa é voluntário e todo ano os veículos serão reavaliados. Isso quer dizer que um carro classificado como menos eficiente este ano poderá evoluir tecnologicamente, dependendo do esforço do fabricante e da demanda dos consumidores, e no ano seguinte receber uma avaliação melhor.

“A certificação é boa para todo mundo, pois o consumidor terá um parâmetro para fazer uma escolha ética e o mercado será impulsionado a evoluir tecnologicamente para produzir carros mais eficientes e menos poluentes”, destacou Henry Joseph Júnior, responsável pela área de Energia e Meio Ambiente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Não há previsão de tornar a certificação obrigatória, explica o presidente do Inmetro. “É o consumidor e todo o mercado que vai exigir a presença do selo nos carros”, afirmou Jornada.

Para participar do programa de etiquetagem, a montadora precisa informar os dados do consumo de combustível e da eficiência energética dos modelos no manual do proprietário que acompanha os carros e nas lojas.

Essas informações poderão ser conferidas pelos consumidores na etiqueta, fixada pelos fabricantes nos vidros dos carros. Esses dados também ficam disponíveis para consulta nos sites do Inmetro (www.inmetro.gov.br) e do Conpet (www.conpet.gov.br).

O programa também contou com a participação de especialistas do Ministério de Minas e Energia, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb).

Na Austrália, Canadá, Cingapura e União Europeia existe certificação voluntária semelhante. Já na China, Estados Unidos e Japão, o programa é parecido, mas obrigatório.

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