Carrefour-Pão de Açúcar: fusão pode ser lesiva ao consumidor

Marcelo Moreira

29 de junho de 2011 | 22h19

Luciele Velluto

O Grupo Pão de Açúcar oficializou ontem a proposta de fusão com o Carrefour no Brasil. Com isso, as duas maiores redes varejistas de alimentos do País passariam a ser uma única empresa e concentrar cerca de 30% do segmento supermercadista em território nacional, o que pode não ser benéfico para o consumidor.

Para as empresas, a vantagem será de diminuir custos operacionais e até conseguir melhores preços junto aos fornecedores. Porém, não haverá nenhuma garantia de que esses preços menores serão repassados aos clientes.
“Para o consumidor não é positiva essa união. Isso cria situação de quase monopólio (quando apenas uma empresa domina o mercado), ou seja, perda de competitividade”, explica Ricardo Torres, professor de economia da Brazilian Business School.

O professor de economia da Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe), Ulisses Ruiz de Gamboa, explica que as fusões de empresas de grande porte do setor varejista podem até reduzir a oferta de mercadorias aos consumidores. Segundo ele, a grande empresa que surge desta união poderia simplesmente optar por não comprar produtos que não lhe pareçam um bom negócio.

Na história das fusões entre grandes empresas não há relatos de benefício especiais para o consumidor, de acordo com o especialista. Mas o órgão responsável por essa avaliação é o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que decide se haverá ou não prejuízo para a concorrência de mercado.

 “O Cade terá de analisar não só a média de 30% do mercado nacional. Em cidades ou até bairros, se houve a fusão, a concentração poderá ser de 100% dessas empresas”, comenta Torres.

O problema é que esse órgão federal tem demorado mais de dois anos para julgar as últimas fusões – exemplo da união entre Sadia e Perdigão, que ocorreu em 2009 e que ainda não teve resposta. Um dos casos em que foi dado o parecer negativo do Cade devido à concentração de mercado foi a compra da Garoto pela Nestlé em 2002, que até hoje está na Justiça.

O próprio Grupo Pão de Açúcar ainda aguarda a resposta do Cade quanto às compras do Ponto Frio e de parte da Casas Bahia.

Negociação

A operação entre as duas redes de supermercados deve atingir R$ 5,6 bilhões, segundo o comunicado do Grupo Pão de Açúcar aos acionistas. Só o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestaria R$ 4,5 bilhões.

Torres condena a participação do banco de recursos públicos na operação. “Será dinheiro público sendo usado para algo que não beneficiará o público, que é a população”, diz o economista.

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