Câmera digital mais cara nem sempre é a melhor

Marcelo Moreira

04 de agosto de 2008 | 18h26

ELENI TRINDADE

Preço mais alto não é sinônimo de qualidade máxima, pelo menos na hora de escolher uma câmera fotográfica digital. Essa foi a constatação da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), que realizou teste em 19 máquinas fotográficas digitais compactas de oito marcas. Os resultados mostram que é o preço que deve definir o item a ser comprado, já que os produtos analisados, com valores de R$ 799 a R$ 2,6 mil, têm qualidade de imagem e funções semelhantes.

Os especialistas recomendam: economize comprando a máquina certa para suas necessidades. Foram testadas câmeras da Panasonic, Sony, Casio, Fuji, Nikon, Olympus, Kodak e Samsung.

“Nem sempre o produto mais caro é o melhor. Um exemplo desse teste é o quesito foco. Praticamente todas as máquinas tiveram desempenhos aceitáveis”, afirma Alessandra Macedo, coordenadora da Área Técnica de Produtos da Pro Teste. Outro quesito avaliado pela entidade é o número de megapixels (MPx) do equipamento (unidade que mede a qualidade da resolução da imagem capturada).

Todas as câmeras foram bem sucedidas nesse item. Segundo Alessandra, elas têm quantidade de megapixels acima do necessário para o usuário comum. “Uma câmera com três megapixels já é suficiente para impressão de boa qualidade.”

A Pro Teste avaliou, ainda, nitidez, cores, distorção e captação de imagens. Para isso, as fotos foram analisadas no computador e após impressão em papel especial. “Constatamos que a reprodução de cores das máquinas, em geral, é pouco fiel à realidade no modo automático, ou seja, no modo em que o consumidor não precisa se preocupar em fazer configurações específicas para cada situação”, explica Alessandra.

As marcas Panasonic, Casio e Fuji dizem não ter o que contestar no teste. Sony, Samsung e Kodak preferiram não se manifestar.

A Olympus destaca que, em nenhum momento, foi procurada pela Pro Teste para prestar informações. Suas câmeras analisadas são de 2007, e que, hoje, já há modelos mais atualizados.

A Nikon informou que as câmeras L12, L15 e S50 não são mais fabricadas e que “novas versões foram lançadas para corrigir algumas deficiências apontadas”.

Pesquisa

Mas como escolher a melhor câmera sem gastar muito? “É preciso evitar a compra por impulso”, alerta Fátima Lemos, assistente de Direção do Procon de São Paulo. “As propagandas são muito convincentes e, se o consumidor não tomar cuidado, pode se decepcionar.”


Para Shirley dos Santos, pesquisar é fundamental para encontrar o modelo certo (FOTO: ROBSON FERNANDJES/AE)

Foi o que aconteceu com Leila Fonseca. “Vi o comercial, liguei e comprei porque me chamaram a atenção as funções informadas na TV. Falavam que ela tirava fotos de boa qualidade, além de ter função MP3 e gravar vídeos. Só que, se eu tirasse dez fotos, não tinha mais memória para usar as outras funções.” Como a compra foi feita por telefone, ela conseguiu desistir no prazo de sete dias como determina o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. “Agora, estou pesquisando para comprar outro modelo.”

Para evitar situações assim, é essencial se informar. “É preciso procurar o modelo que melhor atende suas expectativas e ter paciência para pesquisar, pois praticamente todos os meses as empresas fazem lançamentos. Uma vez escolhido o equipamento, procure entender suas funções e características e pesquisar preços em várias lojas”, aconselha Fátima Lemos.

A web designer Shirley Santos é um bom exemplo de consumidor que exige qualidade no equipamento. “Verifico qual máquina tem a melhor captação de luz e boa resolução das imagens. Pesquiso na internet as funções das máquinas, as configurações, a capacidade de armazenamento e o preço.”

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