Cai o número de golpes do seguro

Marcelo Moreira

28 Maio 2010 | 16h40

 MARCOS BURGHI – JORNAL DA TARDE
 

O número de denúncias de consumidores contra a ação de falsos corretores de seguros encaminhadas à Superintendência de Seguros Privados (Susep) diminuiu neste ano. Segundo analistas, a queda ocorreu porque o mercado e os consumidores estão mais atentos.

De acordo com dados da Susep, órgão do Ministério da Fazenda encarregado de fiscalizar o setor, nos primeiros quatro meses de 2010 foram encaminhadas 459 denúncias ante 601 no mesmo período de 2009.

Uma das formas mais comuns de golpe é a oferta do produto a idosos por telefone, alerta o Departamento de Atendimento ao Público da Susep. A pessoa segue as orientações do falso vendedor, faz os pagamentos solicitados e só descobre que foi enganada quando tenta contato para alguma informação ou no momento de acionar o seguro.

A Susep explica que todas as denúncias recebidas são encaminhadas pelo órgão ao Ministério Público (MP) para futura investigação.

Francisco D’Orto, coordenador do curso MBA executivo em Seguridade da Trevisan Escola de Negócios, acredita que as seguradoras estejam mais atentas à ação de falsos corretores, preocupadas com eventuais prejuízos a suas imagens. “Os segurados contam com mais informações”, diz.

D’Orto afirma que os consumidores que estejam dispostos a comprar uma apólice de seguros devem fazê-lo por meio de profissionais credenciados na Susep. Todos os profissionais que atuam legalmente no mercado devem ser registrados no órgão e apresentar a credencial fornecida no momento do registro. “Outra alternativa é consultar o histórico do corretor junto à seguradora”, recomenda.

Leôncio Arruda, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado (Sincor-SP), afirma que embora o número de denúncias tenha caído, ainda é alto. “Os clientes ficaram mais exigentes, a concorrência aumentou e mesmo assim o problema persiste”, observa.

Arruda afirma que o Sincor-SP também recebe denúncias e as encaminha para o MP. As reclamações podem ser feitas pelo site www.sincorsp.org.br ou pelo disque denúncia do sindicato, no telefone 0800 114999.

Ele lembra que a página do sindicato na internet também permite aos consumidores verificarem os registros dos corretores, inclusive se a autorização de atuação como profissional da área foi cassada.

Outra forma de certificar-se sobre a idoneidade da operação é checar com a seguradora se o produto oferecido pelo corretor está, de fato, à venda, e se a oferta está sendo feita por pessoa autorizada.

Júlio Avellar, superintendente geral da Central de Serviços da Confederação Nacional das Seguradoras (Cnseg), diz esperar que a redução não seja circunstancial, mas sim “corresponda ao esforço da confederação e das empresas de seguro em orientar os consumidores para que não se tornem alvos fáceis de golpes”.

Segundo ele, as seguradoras em conjunto com a Susep vêm desenvolvendo trabalhos de informação aos consumidores e de repressão à má conduta no mercado.

Avellar lembra que os prejuízos não são causados só por falsos ou maus profissionais, mas também por associações que vendem seguros sem autorização para criar um produto e comercializá-lo. “Denúncias também podem ser feitas pelo fone 181”, diz.