Cadastro positivo: efeito vai demorar

Marcelo Moreira

21 de maio de 2011 | 07h53

Marcelo Moreira e Saulo Luz

O cadastro positivo de bons pagadores só terá condições de ser implantado dentro de seis meses, na melhor das hipóteses. Essa é a opinião do superintendente da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, sobre o projeto aprovado pelo Senado anteontem e que aguarda sanção da presidente Dilma Rousseff.

Na manhã de ontem, o presidente da entidade, Rogério Amato, disse que o setor recebeu com alegria a notícia da aprovação do projeto. “Nossa entidade luta pela aprovação do cadastro positivo desde 2003. Após oito anos de muita discussão e trabalho, começamos a ver os resultados. Aguardamos agora só a finalização do processo. Estamos prontos para operacionalizar este cadastro e temos certeza que o consumidor brasileiro será quem mais ganhará com a sua implantação”.

Solimeo, no entanto, não está tão otimista em relação à implantação. Segundo ele, é preciso ter calma neste momento, pois será necessária uma ampla campanha de esclarecimento sobre assunto, de responsabilidade das entidades de classe do comércio e de defesa do consumidor.

“Temos toda a base tecnológica para implementar o mais rápido possível o cadastro, mas a questão da educação do consumidor e do próprio comércio não nos permitirá implementar antes de seis meses ou até um ano”, conta o executivo.

Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio, acrescenta que o cadastro positivo é um projeto de longo prazo, e o consumidor não deve esperar juros menores tão cedo. “Só vai ter um efeito nos juros quando a base do cadastro for muito grande. Enquanto o cadastro é pequeno, o efeito é apenas moral e o comerciante não vai utilizá-lo para facilitar o pagamento”, diz.

Apesar disso, Pina acredita que o bom pagador será premiado com juros menores. “É impossível calcular quanto deve cair os juros, mas é óbvio que os melhores pagadores terão melhores garantias a em relação aos não tão bons, e esses em relação aos maus pagadores – que, talvez nem consigam crédito. Isso é lógico”, completa.

Enquanto o comércio se prepara para implantar o cadastro, as entidades de defesa do consumidor continuam céticas em relação à queda dos juros. “Falamos isso há tempos. No cadastro positivo não há nada que garanta que o consumidor terá custos ou juros menores. A médio prazo isso não vai acontecer”, analisa Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste).

Já para Denísio Augusto Liberato, professor da Faculdade de Economia da Faap, os juros devem mudar no longo prazo, mas com impactos diferentes em cada modalidade. “No empréstimo consignado não deve cair muito. No cartão de crédito, onde a inadimplência é grande, a variação dos juros deve ter um impacto maior e o bom pagador conseguirá taxas menores”, afirma.

Tendências: