Brasileiro se perde no gasto semanal

O brasileiro não sabe o destino de um quarto de seus gastos semanais. Esse é o resultado de uma pesquisa feita pela Visa em 12 países. O levantamento mostra que o consumidor desembolsa semanalmente R$ 159,30 no pagamento de produtos e serviços

Marcelo Moreira

13 de agosto de 2010 | 20h30

Luciele Velluto e Gisele Tamamar

O brasileiro não sabe o destino de um quarto de seus gastos semanais. Esse é o resultado de uma pesquisa feita pela Visa em 12 países. O levantamento mostra que o consumidor desembolsa semanalmente R$ 159,30 no pagamento de produtos e serviços, dos quais R$ 40,71, ou 26%, ele gasta praticamente sem perceber.

No final de um ano, estas despesas “invisíveis” somam R$ 2.100, segundo o estudo que abordou mil pessoas no País. E o pagamento de alimentos está no topo da lista das despesas das quais as pessoas não se lembram exatamente quanto gastaram, com 43% das respostas, seguido por compras relacionadas a lazer, com 35%, e entretenimento, com 29%.

Na média mundial, 20% dos gastos com serviços e produtos não são contabilizados nas despesas semanais dos consumidores, ou seja, R$ 42,48.

 Os australianos são os que mais se esquecem de pequenos pagamentos, com 34% do consumo semanal. Em seguida aparecem os indianos, com 31%. Já os japoneses figuram na outra ponta da lista: são os mais organizados quando ao destino do dinheiro e apenas 7% dos gastos deixam de ser contabilizados.

Segundo o diretor executivo de produtos da Visa do Brasil, Percival Jatobá, os esquecimentos ocorrem com pequenos gastos feitos em dinheiro. “As pessoas pagam por pequenas compras e quando percebem, estão sem dinheiro. Gastam mais desapercebidamente do que imaginavam”, diz.

O executivo da empresa acredita que isso ocorre porque há novos consumidores com maior poder aquisitivo que ainda estão aprendendo a controlar as finanças. “Como a ascensão financeira das pessoas, há muitos consumidores que querem crédito e meios de pagamento. Estes estão mais propensos a gastar sem perceberem”, comenta  Jatobá.

 A corretora Dalva Martins, 41 anos, tentou fazer o controle dos gastos no ano passado, mas durou pouco. Não conseguia completar o mês de anotações. “Vamos gastando com pequenas coisas. E não sabemos onde o dinheiro foi parar. Compro um pão de queijo e um cafezinho pelo menos duas vezes por semana. Depois você pensa que poderia ter economizado”, conta.

O porteiro Joaquim Antonio França Filho, 46 anos, não é adepto do cartão de crédito e nem do cheque. Ele prefere fazer as compras com dinheiro. “Concordo com a pesquisa. Você recebe no começo do mês e depois não sabe onde gastou. É na lanchonete, no passeio com os filhos”.

A dificuldade da comerciante Vânia Mardato, 26 anos, é controlar o dinheiro trocado e as moedas. “Você tira o dinheiro do banco, paga umas contas, gasta R$ 5 ali, R$ 10 aqui e quando vê já gastou R$ 100”, diz.

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