Brasileiro paga muito por internet ruim

Estudo do Idec compara o preço e a qualidade da banda larga em seis capitais aponta ainda que o consumidor não recebe as informações corretas sobre o serviço que lhe é oferecido. Para o Idec, a concorrência “quase inexistente” é principal vilã dos preços

Marcelo Moreira

14 Julho 2010 | 16h01

Karla Mendes

Um estudo divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que comparou o preço e a qualidade da banda larga em seis capitais do País, mostra que o brasileiro paga caro pelo acesso à internet e, além disso, não recebe as informações corretas sobre o serviço que lhe é oferecido. “A internet no Brasil é cara, lenta e restrita”, ressaltou Estela Guerrini, advogada do Idec, responsável pela pesquisa.

Na visão do Idec, a concorrência “quase inexistente” é a principal vilã para os preços da banda larga no mercado brasileiro. Para ter internet rápida em casa, o consumidor brasileiro paga em média U$S 28, valor que chega a 4,58% da renda per capita no País, segundo o Idec. Nos Estados Unidos, o valor é de apenas 0,5% da renda per capita dos norte-americanos, e na França é de 1,02%.

Apesar de pagar caro, o consumidor brasileiro ainda não recebe um bom serviço. Segundo levantamento recente realizado pela empresa americana Akamai, a velocidade de tráfego da internet brasileira é uma das mais lentas do mundo.

 O levantamento mostra que a velocidade média é de pouco mais de um megabit por segundo (Mbps), 93% menor que a velocidade média da Coreia do Sul, líder do ranking. Além disso, 20% das conexões no País têm velocidade inferior a 256 quilobits por segundo (Kbps), o que passa ao largo da velocidade mínima estabelecida pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), entre 1,5 e 2 Mbps.

Segundo o instituto de defesa do consumidor, o site e o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Ajato, por exemplo, nada falam sobre o problema. E o contrato prevê que a operadora não se responsabiliza pelas diferenças de velocidade em decorrência de fatores externos.

Na Net, o site e o SAC nada falam sobre variação de velocidade. Mas o contrato prevê que a velocidade máxima ofertada em cada uma das faixas é de até 10% da indicada. No caso da Telefônica, o site não fala sobre variação de velocidade, e o SAC informa que a velocidade pode variar. O contrato, por outro lado, prevê que as velocidades estão sujeitas a variações.

O site da GVT não informa sobre variação de velocidade; o SAC informa que há pouca variação de velocidade; e o contrato prevê que algumas velocidades máximas são garantidas apenas para o acesso à rede da GVT.

A Oi, segundo o Idec, também não dá informações sobre variação de velocidade no site da empresa; o SAC informa que a velocidade é sempre a mesma, em qualquer horário; o contrato, por outro lado, prevê que as faixas de velocidade não são garantidas.

Procurada, a GVT informou que sua proposta de valor é oferecer “o melhor custo-benefício do mercado”. A Telefônica informou que “tem compromisso com a garantia da qualidade na oferta e prestação do serviço de banda larga, seja com a marca Speedy, seja com a marca Ajato”.

A Oi informou que “os custos incorridos na prestação do Oi Velox (…) são diferenciados por localidade”. A Net disse que “garante em contrato o mínimo de 10% da velocidade contratada e não apenas 10%”.

 

O consumidor brasileiro paga em média U$S 28 pelo acesso à banda larga, valor que chega a 4,58% da renda per capita no País. Nos EUA, o valor é de apenas 0,5% da renda per capita dos norte-americanos -- Foto: Ernesto Rodrigues/AE O consumidor brasileiro paga em média U$S 28 pelo acesso à banda larga, valor que chega a 4,58% da renda per capita no País. Nos EUA, o valor é de apenas 0,5% da renda per capita dos norte-americanos — Foto: Ernesto Rodrigues/AE

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