Brasileiro paga mais para usar celular

O brasileiro é o que paga mais caro para usar o celular entre os países emergentes, o que faz do mercado interno do País o espelho perfeito das disparidades mundiais no acesso às novas tecnologias. O Maranhão, por exemplo, tem taxa de penetração do celular equivalente à do Butão

Marcelo Moreira

22 de outubro de 2010 | 08h14

do Jornal da Tarde

O brasileiro é o que paga mais caro para usar o celular entre os países emergentes, o que faz do mercado interno do País o espelho perfeito das disparidades mundiais no acesso às novas tecnologias. O Maranhão, por exemplo, tem taxa de penetração do celular equivalente à do Butão.

O Piauí tem índices similares aos de Congo e Suazilândia. Já São Paulo e Rio têm taxas de penetração superiores à de alguns dos principais países europeus e mesmo à média nos Estados Unidos. Brasília bate todos os recordes e tem uma das taxas mais altas. A avaliação foi publicada ontem pela ONU, com base em dados da Nokia.

A ONU aponta que os custos no Brasil caíram 25% entre 2008 e 2009. Mas o País continua a ter um dos celulares mais caros do mundo. O custo explica a disparidade. No Brasil, o custo absoluto do celular é três vezes superior à média dos países emergentes.

Por um pacote de 165 minutos de conversas, 174 SMS, um download e de 2,1 megabytes de dados, um brasileiro paga pouco mais de US$ 120. O valor equivale ao mesmo pacote no Zimbábue e é superior aos de Venezuela, Turquia, Nicarágua, Angola, Gabão ou México. Na Argentina, o mesmo pacote sai por menos da metade. Na Índia, Paquistão, Bangladesh e China, a população paga um sexto do que é cobrado de um brasileiro.

Em relação à renda per capita, o Brasil não tem o custo mais elevado. No Níger, por exemplo, o pacote que serve de base para calcular os custos do celular sai por US$ 15 por pessoa, 15% do valor no Brasil. Mas isso equivale a 56% do salário médio de um cidadão.

Em média, o custo do celular no mundo é de 5,7% da renda da população. Nos países ricos, é de 1,2%. Nos emergentes, 7,5%. No Brasil, a taxa caiu de 7,5% em 2008 para 5,66% em 2009.

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