Brasileiro mais por cesta básica digital

Gasto com computadores, câmeras e TVs de LCD, entre outros produtos tecnológicos, é o maior entre países da América Latina, diz pesquisa. A diferença chega a 36,7% na comparação com os preços da Colômbia, os mais baixos

Marcelo Moreira

23 Julho 2010 | 12h32

Luciele Velluto

Comprar produtos ligados à tecnologia é muito mais caro no Brasil do que em outros países da América Latina. Pesquisa da Marco Consultoria, empresa especializada em análise do mercado de Tecnologia da Informação e presente em cinco países, mostra que equipar uma casa com itens digitais custa US$ 7.540 (cerca de R$ 13 mil) por aqui, 36,7% mais do que no país mais barato pesquisado, a Colômbia.

Os preços são mais elevados no Brasil por conta da carga tributária, importação e até por uma questão cultural, como é o caso dos smartphones, considerados produtos de status no País. No entanto, há itens com preços elevados em todos os países pesquisados, como é o caso das TVs de LCD.

Os produtos analisados são câmera fotográfica digital, home theater, leitor de Blu-Ray, smartphone, notebook com sistema operacional Windows, netbook, videogame, além da TV de LCD.

Foram consideradas marcas globais vendidas por grandes varejistas no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México e os preços foram captados em abril deste ano.

O consultor sênior da Marco Consultoria e responsável pela pesquisa no Brasil, Henrique de Campos Júnior, explica que, apesar do mercado brasileiro ter o preço mais alto no conjunto de produtos, é o país com maior salário médio, de US$ 790 (R$ 1.424,10, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE), o que garante maior poder aquisitivo. “O aumento do salário do brasileiro tem sido constante e está mais fácil ter uma casa digital”, diz.

No Brasil são necessários 9,6 salários médios para se comprar uma cesta de produtos tecnológicos. Na Argentina é preciso desembolsar 14,7 salários médios para se adquirir os mesmos itens. “É por isso que podemos afirmar que o Brasil tem mais acesso a tecnologia do que os vizinhos quando comparamos o preço dos produtos ao ganho dos trabalhadores”, explica.

Na comparação com a pesquisa anterior, de agosto de 2009, houve queda: se hoje com 9,6 salários médios compra-se o conjunto de itens, na época eram necessários 10,1 salários médios. Já o preço da cesta subiu de US$ 6.260 para US$ 7.540 no período.

 Para Campos Júnior, isso mostra um crescimento da renda do brasileiro, apesar do encarecimento dos artigos. “Há também influência da queda do dólar no período, mas o peso do aumento salarial dos trabalhadores é muito maior”, avalia.