Blecautes: rede subterrânea é mais segura

Marcelo Moreira

21 de janeiro de 2012 | 12h52

Saulo Luz

Apesar de caro, o enterramento da rede é avaliado como a melhor solução técnica para reduzir os blecautes em São Paulo. “Isso significa que tem que ir tudo para o subsolo e as empresas de energia e de telecomunicações devem compartilhar as estruturas”, diz Decio Amadio, doutor em arquitetura e urbanismo. “Enquanto isso não for feito, a cada temporada de chuvas e quedas de árvores, a rede aérea vai ser um problema. Vai ter interrupção e apagão.”

Segundo ele, a rede de distribuição de São Paulo está atrasadíssima até mesmo em relação a outras cidades latino-americanas e o enterramento deixaria a cidade mais bonita e segura. “Esse modelo de via aérea é perverso, obsoleto e oferece um risco enorme de acidentes. Além disso, nunca contemplou os aspectos urbanísticos e de embelezamento da cidade, apenas os interesses das empresas”, diz.

Além da rede elétrica, a Lei Municipal nº 14.023 obriga o enterramento de toda a fiação aérea das concessionárias de serviços, como telefonia, TV a cabo e internet. Essa rede têm cerca de 33 mil quilômetros em postes.

Essa mudança só iniciará após a elaboração do Programa de Enterramento da Rede Aérea (Pera), da prefeitura, que definirá quando, como e locais onde devem ser feitos esse enterramento. A AES Eletropaulo diz que, até o momento, não recebeu qualquer informação deste plano e informa que a construção da rede subterrânea é de 10 a 16 vezes mais cara em relação a rede aérea.

A empresa informa também que a própria Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconhece que esse custo “impacta diretamente no valor da tarifa de energia elétrica e que para que o ônus não seja apenas do consumidor. Para viabilizar o enterramento de toda a rede, é necessário, portanto, equacionar a questão financeira, envolvendo governo, sociedade e iniciativa privada.”