Banda larga móvel é a que mais cresce

Marcelo Moreira

04 de agosto de 2009 | 21h11

CAROLINA DALL’OLIO – JORNAL DA TARDE

Em 2011, o número de clientes de internet banda larga móvel (em que a conexão é feita por uma linha de telefone celular) já será maior que o de banda larga fixa (que usa uma linha comum).

Serão 18 milhões ante 17 milhões, estima a consultoria Pyramid Research – o que ajudará a baratear o preço do serviço, mas também poderá provocar congestionamento na rede caso a expansão da estrutura não acompanhe a evolução da base de usuários.

Hoje, a banda larga móvel possui 5,7 milhões de clientes enquanto a fixa têm mais de 12 milhões. Mas as vendas de notebooks já superam a de PCs, há mais celulares do que telefones fixos e os preços dos serviços móveis estão cada vez mais baixos. A busca por mobilidade é uma tendência irreversível.

Para o bolso do consumidor, a expansão da banda larga móvel pode significar economia. Disponível no mercado há pouco mais de um ano, o serviço já registrou queda de preços em quase todas as operadoras.

“Com o passar do tempo toda tecnologia se torna mais barata”, afirma Eduardo Tude, da consultoria Teleco. “Além disso, quando as operadoras ampliam sua base de clientes elas ganham escala e diminuem os custos operacionais, o que se reflete no valor final.”

Esse é o lado bom da expansão. A consequência negativa, entretanto, pode aparecer caso as medidas que sustentem o crescimento não sejam tomadas a tempo. Atualmente, a velocidade da conexão da banda larga móvel já é questionada por muitos consumidores.

De janeiro a maio de 2009, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) registrou, só no Estado de São Paulo, 6.405 reclamações sobre o baixo desempenho da banda larga móvel (também chamada de tecnologia 3G).

A lentidão na conexão pode ser ocasionada por três fatores, explica o consultor Ethevaldo Siqueira, especializado em tecnologia. “Falta de frequência – o que seria uma responsabilidade da Anatel –, falta de infraestrutura da rede – o que cabe às operadoras garantir – ou mesmo falhas dos provedores de sites”, resume Siqueira.

“Como é praticamente impossível saber o que exatamente provocou problemas na conexão, o consumidor não tem a quem reclamar e se vê obrigado a esperar pela evolução da tecnologia.”

A Anatel estuda criar parâmetros para que haja uma proporção entre a velocidade prometida e a velocidade entregue. Mas hoje ainda não há regras sobre o tema.

A agência também apresentou uma proposta que destina parte da frequência de 2,5 giga-hertz (GHz) para as empresas de telefonia celular, hoje preenchida por empresas de TV por assinatura.

O aumento do espaço para a exploração de banda larga é um pleito das operadoras para que se evite um “apagão” no serviço. A proposta ainda está em consulta pública.

Já as operadoras afirmam que os investimentos para ampliar a cobertura e a qualidade do serviço são cada vez maiores.

A TIM reconhece que há uma diferença entre a demanda atual do mercado e a capacidade das operadoras móveis em montar a estrutura necessária para oferecer o serviço em todas as localidades onde há oportunidade.

Ainda assim, no segundo trimestre, os investimentos da empresa totalizaram R$ 422 milhões – 80% foram alocados em rede e TI.

Fábio Freitas, gerente da Vivo, também argumenta que a banda larga móvel é uma tecnologia muito nova no Brasil, que apresenta limitações momentâneas que serão aprimoradas com o tempo.

Os investimentos da empresa devem somar R$ 2,6 bilhões em 2009. “Por isso, a Vivo optou por cobrar o serviço pelo tráfego de dados, e não pela velocidade prometida. Assim o cliente não se frustra e paga apenas o que usar”, diz.

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