Banda larga lidera queixas na Anatel

Marcelo Moreira

30 de maio de 2011 | 07h28

Carolina Marcelino

Reclamações de internet banda larga aumentaram 60%, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em fevereiro do ano passado, foram registradas 15,06 mil queixas sobre o setor. No mesmo período de 2011, o número saltou para 24,2 mil.

Reparo, cobrança e instalação são os motivos que lideram a lista. Segundo o advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Guilherme Varella, essas reclamações continuam existindo porque as empresas não investem na qualidade do serviço oferecido. “As operadoras estão preocupadas em aumentar as suas carteiras de clientes, mas ninguém valoriza o produto que está sendo vendido”, disse Varella.

Segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), o número de domicílios com acesso à internet em banda larga cresceu mais de 80 vezes nos últimos dez anos, passando de 200 mil, no início da última década, para 17,4 milhões, no fim de 2010.

Esse crescimento mostra o aumento do poder aquisitivo dos consumidores, além da popularização do serviço, que ficou mais acessível nos últimos anos.

Internet banda larga lidera o ranking, mas os outros serviços também tiveram aumento no número de reclamações. No caso de TV por assinatura, foram 5,5 mil queixas em 2010, para 8,18 mil neste ano, um aumento de 48,1%. Sobre telefonia fixa, as queixas subiram 38,3% – de 38,2 mil em fevereiro de 2010 para 52,8 mil – e na telefonia móvel o crescimento foi de 26% – as queixas passaram de 51,7 mil para 65,4 mil este ano.

E mesmo com o alto número de reclamações e da frágil estrutura oferecida pelas empresas, o governo brasileiro ainda pretende expandir o setor no Brasil por meio do Plano Nacional de Banda Larga. Até 2014, o projeto visa garantir a presença do serviço de banda larga em pelo menos 68% das residências no País. Mas, houve um corte no orçamento do plano que deve acarretar em atrasos. Para 2011, a verba prevista era de R$ 226 milhões. Porém, houve uma redução de R$ 50 milhões.

Mas para o advogado do Idec, esse alto investimento de nada vale se não houver uma fiscalização eficiente. “A Anatel não dá conta de cuidar de todo esse mercado”, completou.

Dados do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), do Ministério da Justiça, mostram que planos de saúde, serviços financeiros e telecomunicações são os setores mais reclamados pelos consumidores, que devem sempre registrar os problemas nos órgão de defesa do consumidor e nas agências reguladoras.

“Primeiro, a pessoa lesada deve tentar uma solução com a empresa, mas caso não consiga a agência reguladora deve ser avisada. Só a partir do alto número de relatos é que as autoridades vão tomar alguma providência”, orientou o advogado especialista em defesa do consumidor e consultor do JT, Josué Rios.

Para registrar uma reclamação na Anatel, o consumidor pode ligar no número 1331 ou no 1332, para deficientes auditivos. Também é possível relatar o problema pelo site da agência que é o www.anatel.gov.br.

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