Bancos são inflexíveis ao negociar dívidas

Consumidores que procuram os Postos Avançados de Conciliação Extraprocessual para negociar dívidas com instituições financeiras representam 80% dos pedidos registrados nas duas unidades administradas pelo Fórum João Mendes Júnior

Marcelo Moreira

08 de novembro de 2010 | 13h16

Lìgia Tuon

Consumidores que procuram os Postos Avançados de Conciliação Extraprocessual para negociar dívidas com instituições financeiras representam 80% dos pedidos registrados nas duas unidades administradas pelo Fórum João Mendes Júnior.

As sessões desse tipo seguem um padrão: a instituição financeira oferece três ou quatro opções de parcelamento ao cliente inadimplente por meio de um porta-voz– que não tem autonomia para negociar outras formas de pagamento – para que o reclamante faça a escolha.

No caso de Simone Frizarin, técnica de radiologia médica, a inflexibilidade do banco na hora da negociação não facilitou o acordo. “Eu quero pagar minha dívida, mas as minhas sugestões aqui não valem, porque o banco já mandou um porta voz com apenas três opções de parcelamento. Não tenho nem como argumentar.”

De acordo com o juiz Josué Modesto Passos, coordenador do Setor de Conciliação Cível Central, essa postura dos bancos é padrão, mas o papel do conciliador que acompanha a sessão é intervir. “Existem bancos que trazem propostas mais flexíveis, mas muitos não têm essa política. Nesta hora, o conciliador é importante, pois tem o papel de aproximar as partes e tentar achar uma solução.”

Muitas pessoas com o mesmo problema de Simone acabam procurando a Justiça por causa da dificuldade de resolver o problema por telefone com as agências, segundo o advogado e coordenador da Unidade de Conciliação da Liberdade, Guilherme Giussani. “Vemos muito este tipo de problema aqui.”

Os bancos Itaú, HSBC e Caixa Econômica Federal informaram por meio de nota que a negociação de dívidas é realizada segundo critérios técnicos e particularidades de cada caso. O HSBC intensificou sua “Campanha de Negociação de Dívidas”, que estará em vigor até dezembro deste ano.

O Itaú oferece em seu site dicas para o consumidor não ser prejudicado pelo cartão de crédito, assim como o Bradesco. Já o Santander afirmou que facilita o atendimento por telefone e pessoal nesses casos.

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