Bancos repassam Selic e juros sobem por 3º mês consecutivo

Marcelo Moreira

13 de agosto de 2008 | 15h19

MÁRCIA DE CHIARA – O ESTADO DE S. PAULO

Pelo terceiro mês consecutivo,os juros cobrados dos consumidores e das empresas subiram em julho e já mostram tendência de alta também neste mês.

Duas pesquisas revelam que os bancos e as financeiras estão repassando gradualmente a elevação de 0,75 ponto porcentual da taxa básica de juros, a Selic, determinada pelo Banco Central (BC) no fim do mês passado.

A taxa média de juros das pessoas físicas atingiu 7,35% ao mês ou 134,22% ao ano em julho, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Foi o maior nível desde abril de 2007.

A taxa média de juros para as pessoas jurídicas alcançou 4,23% ao mês, ou 64,40% ao ano, em julho, o nível mais elevado desde novembro de 2006. Em ambos os casos, a variação sobre o mês anterior foi de 0,02 ponto porcentual.

“Os bancos e as financeiras elevaram as taxas no mês passado numa proporção inferior à alta da Selic”, afirma o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira. Esse descompasso, segundo ele, ocorreu porque a reunião do Copom foi no fim do mês passado, o que atenuou o impacto do repasse ao consumidor. “O efeito da alta da taxa básica de juros deverá ser sentido mais neste mês”, prevê.

Pesquisa da Fundação Procon de São Paulo confirma essa tendência. A taxa média de juros do empréstimo pessoal pesquisada em dez bancos atingiu 5,69% este mês, ante 5,67% em julho. No caso do cheque especial, a taxa média de juros deste mês também foi superior à de julho: 8,97% ante 8,83% ao mês.

A diretora de Estudos e Pesquisas da Fundação Procon-SP, Valéria Rodrigues, destaca que o resultado de agosto é a oitava alta consecutiva da taxa de juros do empréstimo pessoal. No caso do cheque especial, trata-se da quinta alta seguida.

Apesar da elevação das taxas, os prazos dos financiamentos foram mantidos, aponta a pesquisa da Anefac. Segundo Adalberto Savioli, presidente da Acrefi, entidade que representa 64 financeiras, as instituições financeiras já fizeram os ajustes que pretendiam nos prazos de financiamento e não devem ter muita alteração daqui para frente.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.