Bancos: redução nos juros vale só para alguns

Marcelo Moreira

18 de setembro de 2012 | 12h01

José Gabriel Navarro

 Após o governo federal iniciar uma cruzada contra os juros dos bancos, três meses atrás, os devedores podem ter pensado que o custo para conseguir um empréstimo seria menor. Mas não é isso o que os órgãos de defesa do consumidor estão constatando.

Para o Idec, as instituições, tanto públicas como privadas, estão privilegiando correntistas e clientes que tenham adquirido outros pacotes de serviço.

“A taxa de juros menor está sendo direcionada para o cliente que está remunerando o banco de outra maneira, por meio de tarifa de manutenção de conta ou de um seguro”, exemplifica o gerente de testes e pesquisas do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira.

O diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, concorda. “Esses juros baixos que têm sido anunciados só valem para quem já tem dinheiro, ou seja, para aquelas pessoas que não encontram nenhuma dificuldade imposta pelo banco porque já pagam para isso”, afirma.

A redução no conjunto de juros abrange uma série de serviços financeiros, desde a taxa para uso do cartão de crédito até financiamento para adquirir automóveis. O movimento começou em abril deste ano, quando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal se sucederam em anúncios de redução de juros para diferentes pacotes. As baixas feitas pelas duas instituições levaram os concorrentes privados a realizarem cortes semelhantes.

“A propaganda do governo sobre a queda de juros não é real”, diz o advogado especialista em direito do consumidor e consultor do JT, Josué Rios. Para ele, órgãos como o Procon deveriam se empenhar em mostrar o quanto os juros têm realmente diminuído, e para quais perfis de clientes.

Em maio, no Feirão da Casa Própria, realizado pela Caixa, consumidores já relatavam que não sentiram no bolso a mudança propagada pelo banco. A Caixa havia anunciado que as taxas de juros passaram de 10% ao ano para 9% para imóveis de até R$ 500 mil. 

 

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