Automóveis: poluição agride o bolso

Marcelo Moreira

11 de outubro de 2011 | 07h15

Carolina Marcelino

Montadoras de veículos não divulgam informações sobre o nível de emissão de gases liberados por seus carros nem o rendimento do combustível nos modelos e consumidores saem no prejuízo na hora da compra.

Sem saber que pode encontrar um modelo mais barato no mercado, que gaste menos combustível e polua menos, o cliente fica com a escolha restrita. Essa é a constatação do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que avaliou 11 fabricantes- Citroën, Fiat, Ford, Chevrolet, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Renault, Toyota e Volkswagen.

De acordo com a pesquisadora do Idec Adriana Charoux, sem acesso a essas informações, a compra do cliente fica limitada. “As montadoras são as únicas a lucrar. Elas omitem as informações da liberação dos gases. Deveria haver uma lei que as forçasse à divulgação”, diz a pesquisadora.

Ainda não há uma lei, mas já existem programas de incentivo para que o consumidor fique atento à poluição que o veículo emite e à eficiência energética.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por exemplo, desenvolveu o programa Nota Verde, que realiza testes em todos os carros antes do lançamento no mercado. São medidos o volume de poluentes convencionais emitidos, como o monóxido de carbono(CO), além do nível de emissão de dióxido de carbono (CO2), principal responsável pelo efeito estufa.

O teste leva em consideração o combustível utilizado, já que a gasolina é derivada do petróleo, forte emissor de CO2 e o álcool é um combustível cuja matéria-prima é a cana-de-açúcar e polui menos.

Foi pelas informações do Ibama, que a educadora infantil Marília Bombardi, de 25 anos, escolheu o modelo do seu primeiro carro. Em 2009, o Ford Ka 1.0 foi considerado o carro menos poluente pela pesquisa.

“Eu estava indecisa, pois todos os carros populares possuíam praticamente o mesmo preço. Quando vi que o Ka era o mais ecologicamente correto, optei por ele”, contou a educadora que a cada seis meses vai à concessionária da Ford para trocar o catalisador.

Na semana passada, a Caixa Econômica Federal criou o Crédito Auto Ecoeficiente. Os consumidores que optarem pelos carros menos poluentes – de acordo com a classificação do Nota Verde – poderão financiar veículos novos com taxa de juros a partir de 1,39% ao mês. O juro comum gira em torno de 3% ao mês.

E os incentivos não limitam-se ao consumidor. As montadoras também são alvo da conscientização dos benefícios econômicos e ambientais que carros ecologicamente corretos podem trazer.

Há dois anos, foi lançado o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) – coordenado pelo Instituto de Normalização, Metrologia e Qualidade Industrial (Inmetro)- que avalia a eficiência no consumo de combustível. Porém, o Idec constatou que apenas seis montadoras aderiram ao PBEV. Mesmo assim, as informações da Ford, Fiat, Volkswagen, Renault, Toyota e Kia (não fez parte da pesquisa do Idec) estão disponíveis apenas no site do Inmetro.

Mas isso vai mudar. A partir de 2012, todos os carros novos das fabricantes que aderiram ao programa terão de chegar ao mercado com uma etiqueta classificatória em A, B, C, D ou E. Na etiqueta, que terá de ser fixada no vidro, o consumidor saberá quantos quilômetros o carro faz com um litro de álcool ou de gasolina. Além disso, o volume de gases emitidos também aparecerão.

Outro estímulo do governo promete às empresas que investirem em tecnologias para fornecer motores mais eficientes e que emitam menor quantidade de gases nocivos ao meio ambiente vantagens com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O objetivo do governo é transformar o Brasil numa plataforma de produção de tecnologia limpa e uma referência em termos de combinação de economia com preservação ambiental.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.