Automóveis: custo vem antes da questão ambiental

Marcelo Moreira

11 de outubro de 2011 | 16h56

Carolina Marcelino

Não importa se é ecologicamente correto ou não. O consumidor está atrás mesmo é de um carro que não lhe traga custos adicionais. É por isso que, na hora de abastecer, a gasolina tem se tornado a principal escolha dos motoristas que possuem carros flex, já que o preço do álcool subiu por causa da baixa produção de cana-de-açúcar, resultado das fortes chuvas da primavera.

Por outro lado, a demanda pelo álcool fez com que as fontes renováveis representassem 45% da energia nacional, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“A produção do biocombustível no Brasil dobrou em comparação a 2008. Mas neste ano, as mudanças climáticas atrapalharam a produção”, afirmou o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia, José Manuel Dias.

Segundo especialistas, para valer a pena abastecer com etanol, o preço do litro deve representar no máximo 70% do preço de bomba da gasolina. Em setembro, o preço do litro do álcool no País custava em média R$ 1,92. Já o litro da gasolina era encontrado por R$ 2,71, também na média – fazendo com que o preço do álcool atingisse 70,84% do valor do litro da gasolina.

Segundo o Índice de Preços Ticket Car (IPTC), em 24 Estados e no Distrito Federal é mais vantajoso abastecer com gasolina para proprietários de veículos flex. Só vale a pena abastecer com etanol em Goiás e no Mato Grosso.

Mas e a preocupação com a poluição? Não há. No dia 22 de setembro, foi comemorado o Dia Mundial Sem Carro. A campanha incentivava os motoristas a deixarem os carros em casa e usar transportes públicos, bicicletas e até a fornecer carona para diminuir o número de veículos nas ruas e consequentemente a emissão de gases poluentes.

Porém, a adesão foi um fracasso no Brasil. Na capital paulista, por exemplo, o índice de congestionamento foi igual aos outros dias da semana. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou o pico de lentidão de 76 quilômetros de vias congestionadas na cidade, índice considerado normal para o horário de pico da manhã- 5h às 9h.

Automóveis e caminhões são responsáveis por 70% da emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. O Brasil está em 3º lugar no ranking mundial de emissão de CO2.

Segundo o engenheiro ambiental da Trusher, Juliano Segatti, se as pessoas continuarem pensando no bolso, a tendência é piorar. “Não há uma fiscalização eficaz nas montadoras dos carros. É por isso que as indústrias poluem menos que os carros. Elas são fiscalizadas”, diz Segatti.

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