Assistir a um jogo no Pacaembu: uma aventura decepcionante

Marcelo Moreira

04 de junho de 2009 | 16h16

Frquentar estádiso de futebol nunca foi algo totalmente agradável no Brasil – exceto para os fanáticos. É preciso gostar muito, mas muito mesmo de seu time para suportar o trânsito caótico, falta de locais para estacionar, extorsão por parte de “flanelinhas”, falta de educação do torcedor em geral, filas enormes para comprar ingressos e para entrar, ingressos falsos, despreparo e arrogância dos policiais, falta de acesso e locais para deficientes, banheiros imundos e aos pedaços, …

A lista de problemas desestimula a ida a qualquer estádio brasileiro, especialmente em São Paulo. Mas a paixão é maior, ainda mais quando envolve o Corinthians – maior torcida do Estado e segunda maior do país – em finais de campeonato no ano de sua volta à Série A do Campeonato Brasileiro.

Mesmo assim, a ida a qualquer estádio paulistano não é recomendável para iniciantes e famílias. Leia o relato do leitor Marcos Ignácio, de São Paulo, sobre sua “aventura” para tentar (e não conseguir) assistir Corinthians 0 x 0 Vasco ontem, no Pacaembu, pela Copa do Brasil:

“Ontem fui ao Pacaembu com minhas filhas. A primeira vez delas.
Ingresso na mão (Tobogã). Cheguei às 20 horas para um jogo que começaria às 21:50 (um horário ridículo, no país onde quem manda é um canal de TV).

O que se viu foi uma mostra da total incompetência, do despreparo, do descaso e da covardia da Polícia Militar, responsável pela organização da entrada dos torcedores.

O resultado é que não entramos no estádio, mesmo com ingressos. Insisti em ficar de pé numa fila infernal até às 22:20hs, na esperança de ainda entrar para ver alguma coisa e dar o gostinho para as minhas filhas de ver um estádio lotado, o fenômeno, a vibração…

Amargo o prejuízo financeiro, amargo a derrota de não ter pra quem reclamar, amargo viver num país onde a polícia não está presente para garantir os direitos do cidadão… Pois em nenhum momento senti que poderia exigir o meu lugar na arquibancada, sendo que estava com os ingressos na mão.

Fico assustado com isso. Fico assustado de ver centenas de pessoas vendendo cachaça, cerveja, maconha e outras porcarias abertamente em flagrante desrespeito às leis… (pra isso não tem polícia).
Mas tem polícia pra me dar borrachada e mandar calar a boca e ficar na fila, como um idiota.

EXPLIQUEM ISSO PRA MINHA FILHA DE 10 ANOS.
A copa do mundo está aí. Como vai ser?”

Como consumidor, Ignácio pode fazer uam reclamação no Procon e iniciar um processo de indenização por danos morais no Juizado Especial Cível – sem a necessidade de advogado – contra o Corinthians e a Federação Paulista de Futebol. Pelo Estado do Torcedor, ele também pode entrar com uma ação cível contra o clube e a federação, mas aí com a ajuda de um advogado.

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