ANS diz que jovens não aproveitarão implante

A justificativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a exclusão da faixa etária de 6 a 18 anos de deficientes auditivos da relação de coberturas obrigatórias é a suposta falta de aproveitamento que os jovens terão com o implante

Marcelo Moreira

27 de junho de 2010 | 12h23

Lígia Tuon

A justificativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a exclusão da faixa etária de 6 a 18 anos de deficientes auditivos da relação de coberturas obrigatórias é a suposta falta de aproveitamento que os jovens terão com o implante.

 “Há estudos que dizem que os surdos pré-linguais (que nasceram com a deficiência), em sua maioria, ficam com uma privação linguística durante muito tempo, o que faz com que as células ganglionares do córtex auditivo (que estimulam o som a chegar ao sistema nervoso central) fiquem inativas. Por esse motivo, as pessoas dessa idade têm poucos benefícios. Já os adultos, que normalmente são mais dedicados à terapia, tem melhor resultado”, diz Bruna Delocco, fonoaudióloga especialista em regulação da ANS.

Outra exclusão que causou polêmica foi a do implante coclear bilateral (nas duas orelhas). Antes, a regra não era bem clara e as pessoas conseguiam fazer a cirurgia dos dois lados por meio de liminares, como foi o caso do assessor técnico Walter Kuhne, que só conseguiu fazer o segundo implante depois de recorrer à Justiça.

coc1

“Essa limitação exclui o direito do ser humano de ouvir dos dois lados. Sem o implante bilateral, eu teria muita dificuldade de escutar em ambientes ruidosos e poderia passar por situações desconfortáveis quando a bateria do aparelho acabasse”.

A equipe médica do doutor Robinson Koji, coordenador do Grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas fez o implante bilateral coclear em 24 pacientes pelo convênio só nos últimos 3 anos.

 

Walter Kuhne, que conseguiu o segundo implante por meio de liminar (FOTO: AYRTON VIGNOLA/AE)

Walter Kuhne, que conseguiu o segundo implante por meio de liminar (FOTO: AYRTON VIGNOLA/AE)

Para ele, a mudança é um retrocesso e tem contradições. “A literatura cientifica mundial moderna já comprovou a importância do implante bilateral, principalmente na faixa etária excluída pela ANS.” Para ele, não faz sentido que a Agência exclua os mais novos, uma vez que o aproveitamento diminui com a idade.

A ANS ainda não sabe dimensionar o custo benefício do implante bilateral, mas admite que sobrecarregaria financeiramente os convênios. “Devemos beneficiar o maior número de pacientes com os recursos limitados a que dispomos”, Bruna Delocco.

Tudo o que sabemos sobre:

ANSdeficiente auditivoimplante coclear

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.