Anatel diz que TIM derruba ligações

Marcelo Moreira

08 de agosto de 2012 | 07h40

FLAVIA ALEMI

A TIM foi acusada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de derrubar as ligações dos clientes do plano Infinity de propósito para obter lucro. Um relatório realizado pelo escritório regional da agência no Paraná mostrou que a queda nas chamadas dos clientes Infinity são quatro vezes mais recorrentes do que nos outros planos da operadora.

O plano Infinity é pré-pago e cobra por ligação efetuada, não pelo tempo de chamada, o que obrigaria o cliente a fazer nova ligação em caso de queda – e a pagar por isso. Segundo os cálculos do relatório, apenas no dia 8 de março deste ano, a ação de derrubar chamadas pode ter levado a faturamento extra de R$ 4,3 milhões.

A Anatel informou que o relatório faz parte de um procedimento administrativo que investiga o descumprimento de obrigações da operadora e que somente após a conclusão do processo poderá tomar providências. No dia 18 de julho, a TIM foi uma das operadoras de telefonia móvel que tiveram as vendas de novas linhas suspensas pela Anatel devido ao número alto de reclamações.

Problema grave

Para o diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, a agência agiu de forma incoerente ao ter liberado as vendas da TIM há cinco dias. “Como a agência reguladora pode permitir que a TIM retome as vendas e, em seguida, surge com um relatório desses? Se, no final do processo, ficar comprovada essa prática, a TIM deveria ser proibida de operar no Brasil.”

Em nota, a TIM nega que as quedas de chamada dos clientes Infinity sejam causadas pela própria companhia. A operadora informa que o relatório que motivou a denúncia contém erros de processamento “que alteram as informações apresentadas e levam a conclusões erradas”.

A relações públicas Andrea Girello tem uma linha da TIM no plano Infinity há quase três anos e conta que a queda de chamada é frequente. “No primeiro ano, tudo funcionou perfeitamente. Falava com meu namorado por 40 minutos e não caía nenhuma vez. Porém, desde o ano passado o serviço ficou insustentável. As ligações caem a cada dois minutos”, diz.

Andrea já registrou três reclamações na operadora por causa da cobertura ruim e do corte das chamadas. “Não faz sentido eu estar na minha casa, onde o sinal é bom, ligar para um telefone fixo e a ligação cair.”

Para Góes, do Procon, o consumidor deve “dar o troco” à operadora. “O pior castigo de uma empresa é perder o seu cliente. O consumidor deve trocar de operadora, bem como pedir o ressarcimento das chamadas que não deveriam ter sido cobradas.”

Ele informa que é possível utilizar a fatura como prova de que as ligações foram realizadas em intervalos curtos de tempo, o que demonstraria as interrupções nas chamadas.

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