Água: novo medidor eleva conta

Marcelo Moreira

08 de abril de 2010 | 19h48

 Troca do hidrômetro é feita quando se constata fraude ou quando o aparelho está velho

EDUARDO REINA – O ESTADO DE S. PAULO
 

A troca de hidrômetros – medidores de consumo de água – feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está fazendo a conta do consumidor aumentar. O novo aparelho combate a submedição, passagem de água que não era mensurada – ou seja, deixava de ser cobrada. Resultado: as contas têm subido em média 20%, mas há casos de aumento de até 90%.

Normalmente, em uma ligação residencial, o novo medidor registra cerca de 2 mil litros a mais por mês que antes não eram anotados, pois o equipamento não conseguia aferir a passagem do líquido em seu mecanismo.

A diferença em dinheiro de quem pagava pelo consumo de 14 metros cúbicos por mês – média de consumo na região metropolitana de São Paulo – e passou a pagar por 16 m³ após a troca do hidrômetro é de R$ 8,52, segundo informou a Sabesp. Os 14 metros cúbicos são consumidos por uma família de quatro pessoas e custam R$ 44,52. Com o novo equipamento, a conta mensal passa para R$ 53,04.

Para Sabesp, os consumidores não têm prejuízo com o novo hidrômetro, pois o consumo sempre volta ao patamar anterior à troca após ocorrer reajuste de preço.

“Ou o consumidor consegue economizar ou verifica que pode ter algum vazamento que é controlado após a mudança”, explica Marcelo Fornaziero de Medeiros, gerente do Departamento de Desenvolvimento Operacional e de Medidores. “Ao adotar o uso racional da água, todos ganham, pois não há desperdício”, afirma Medeiros.

Acréscimo

Mas nem todo cliente tem o acréscimo na conta do tamanho citado pelo gerente. “Antes eu pagava entre R$ 150 e R$ 160 por mês. Depois, ultrapassou R$ 350”, reclama Aparecida Valester, que mora com Maria das Dores Silva Martins e outras três pessoas em uma casa na Rua Astorga, Vila Guilhermina, zona leste da capital. O equipamento foi mudado em setembro de 2009. No mês passado, a conta chegou a R$ 390.

“Na quinta-feira da semana passada um técnico da Sabesp veio e fez testes em casa e não encontrou nenhum vazamento. Quero saber por que aumentou tanto o valor da conta. Quando eu fui reclamar, tinha muita gente falando do mesmo problema”, afirma  Aparecida.

Por sua vez, Claudio Luiz da Silva e sua família, que são moradores da Rua Caiovás, em Perdizes, na zona oeste da capital, consumiam mensalmente 16 metros cúbicos e passaram para 25 metros cúbicos após a troca do equipamento. Mas logo depois conseguiu fazer o custo baixar para níveis similares ao anterior.

“A gente resolveu ser mais rápido no banho. Estamos evitando desperdício e também havia um pequeno vazamento no banheiro. Resolvido o problema da torneira, caiu o consumo. Mas a conta ficou um pouco mais alta”, conta Silva

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