A mesma máquina para todos os cartões

Uma única máquina que aceita qualquer cartão de crédito ou de débito. Essa é a novidade que chega ao mercado nesta quinta-feira. Os equipamentos serão unificados e os estabelecimentos que aceitam cartão serão obrigados a receber qualquer bandeira

Marcelo Moreira

01 Julho 2010 | 08h36

Ligia Tuon

Uma única máquina que aceita qualquer cartão de crédito ou de débito. Essa é a novidade que chega ao mercado  nesta quinta-feira, 1. Os equipamentos serão unificados e os estabelecimentos que aceitam cartão serão obrigados a receber qualquer bandeira.

Antiga reivindicação de comerciantes, a unificação é resultado de termo de ajuste de conduta entre as credenciadoras e as operadoras, com apoio da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça.

Para a economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, isso será bom porque, além de o consumidor ter mais escolhas na hora de efetuar o pagamento, os preços de produtos podem cair. “A medida que os lojistas começam a pagar apenas um aluguel pela máquina, a expectativa é que os preços fiquem mais competitivos, já que terão menos custos.”

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) é ainda mais otimista. “Com a redução dos gastos do comerciante, não há mais motivo pra ter diferenciação de preço pra quem paga a vista (em cheque ou dinheiro) ou no cartão.”

No entanto, o que vai fazer a real diferença no bolso das pessoas, segundo Roque Pellizzaro, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CDNL), será a redução das taxas cobradas por operação. “Como o comerciante poderá escolher entre as credenciadoras, é natural que haja preços mais atrativos para aumentar a competitividade.”

Pellizzaro ressalta ainda que o fim do contrato de fidelidade das credenciadoras com as operadoras de cartão de crédito já começa a abrir portas para outras empresas do ramo. “Já está entrando uma nova credenciadora no mercado, a Santander, com parceria com a GetNet, que, provavelmente, já cobrará taxas menores.”

O consumidor vai sentir essa diferença principalmente ao fazer compras no pequeno comércio, como mercearias. “A redução do aluguel do equipamento corresponde à conta de luz que um comercio pequeno paga por mês. A longo prazo, a reflexo disso nos preços poderá ser muito positivo”, diz Pellizzaro.

Ruy Nazarin, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comercio de São Paulo (Sindilojas-SP) concorda que a medida afetará os preços, mas acha que não dá para falar em números. “Tudo é custo para o empresário e ele inclui no valor das vendas. Mas o impacto que a redução dos gastos terá depende do tamanho do comércio e do trabalho de cada lojista.”

Ele diz que o compartilhamento da máquina vai facilitar as vendas e o consumidor vai comprar com menos custos embutidos.