A meia entrada ainda causa problemas

Marcelo Moreira

19 de maio de 2009 | 00h34

A meia entrada comprovadamente não deu certo no Brasil, pelo menos do ponto de vista do negócio da cultura e dos espetáculos esportivos. Não bastasse a disseminação absurda da carteira de estudante e as fraudes, as próprias emrpesas que vendem intressos não ajudam. Vejam o caso do leitor Jean Bueno, de São Paulo:

“Tentei comprar entradas de um espetáculo pela metade do preço pelo telefone e pela internet com a empresa Ingresso.com. O preço era exclusivo para venda de ingressos para uma peça que eu queria assistir com meus filhos. No entanto, os funcionários que me atenderam ofereceram somente ingressos pelo preço inteiro. Achei que isso foi uma falta de respeito com o consumidor, pois a empresa abriu dois canais de compra – internet e telefone –, mas não disponibilizou a meia-entrada, mesmo tratando-se de uma peça infantil. Ainda tentei trocar os ingressos antes do espetáculo, mas disseram na bilheteria que o sistema era esse e que se eu quisesse garantir as entradas deveria pagar o preço inteiro. No mesmo site (ingresso.com), todos os outros shows, espetáculos e sessões de cinema permitiam aos estudantes a compra da meia entrada. Gostaria que essa empresa regularizasse essa situação, pois, de acordo com a lei, eu tinha o direito de comprar as entradas dos meus filhos pela metade do preço.”

RESPOSTA DA INGRESSO.COM: A Ingresso.com esclarece que é uma empresa prestadora de serviços e comercializa apenas os ingressos disponibilizados pelas casas de espetáculos.

COMENTÁRIO DO ADVOGADO DE DEFESA:
É importante saber que a legislação que cria o direito à meia-entrada não faz diferença quanto à forma de compra do ingresso. Daí o consumidor que pagou inteira em razão da negativa de vender pelo preço menor, tem o direito de se dirigir ao Juizado Especial Cível mais próximo de sua residência e exigir a devolução da diferença. É importante frisar também que a devolução do valor deve ser feita em dobro por se tratar de cobrança indevida.