A boa forma está mais cara em São Paulo

Marcelo Moreira

13 de setembro de 2008 | 19h41

CAROLINA DALL’OLIO – JORNAL DA TARDE

As aulas de ginásticas estão mais caras nas academias paulistanas. No acumulado dos oito primeiros meses de 2008, os preços subiram 6,19%. No caso da natação, o reajuste foi ainda maior: 10,69%. Hoje, freqüentar uma academia em São Paulo custa em média R$ 120.

A alta observada neste ano foi muito maior que a registrada no ano passado. De acordo com o Índice de Custo de Vida (ICV), calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos oito primeiros meses de 2007, o preço das aulas de ginástica sofreu reajuste de apenas 1,26% e o da natação, 2,24%.

“Um dos principais efeitos do aumento da renda do trabalhador ocorreu no setor de serviços, do qual as academias fazem parte”, afirma Cornélia Porto, coordenadora do ICV.

“Quando o cidadão ganha um salário maior e passa a ter uma renda extra, é natural que ele consuma mais, especialmente na área de lazer e esportes. Atualmente mais pessoas têm condições financeiras de freqüentar uma academia”, analisa. Na opinião de Cornélia, o aumento da procura pelas aulas de ginástica e natação permitiu que os empresários do setor cobrassem mais pelo serviço.

Os empresários confirmam a elevação de preços, mas discordam quanto aos motivos. O Sindicato dos Estabelecimentos de Esportes Aéreos, Aquáticos e Terrestres do Estado de São Paulo (Seeaatesp) – que representa as academias – informa que, de fato, o movimento cresceu cerca de 8% este ano. Mas o aumento se resume apenas a um repasse de custos.

“Não foi a demanda que pressionou os preços”, diz Gilberto Bertevello, presidente do Seeaatesp. “Os donos de academia começaram a cobrar mais caro porque alguns de seus custos, como água e luz, subiram muito este ano”, afirma.

Bertevello afirma que, embora o público tenha crescido – ele estima que 1 milhão de paulistanos freqüentem academias –, o número de estabelecimentos também aumentou. São cerca de 2 mil academias na Cidade de São Paulo.


O valor da mensalidade não incomoda a bióloga Pamela Andrade Pereda: “É um dinheiro muito bem gasto” (FOTO: CAROL GUEDES/AE)

“Com mais empresas no mercado, ficou mais difícil encontrar mão-de-obra boa e qualificada. Os salários dos professores, conseqüentemente, subiram”, afirma o empresário.

Celso Cataldi, dono da academia Bicho D’água, na Zona Sul, afirma que anualmente é obrigado a fazer um reajuste de preços. “Sempre tento sempre aumentar o mínimo possível. Assim eu mantenho minha clientela”, diz o empresário, que atua no setor desde 1985.

A bióloga Pamela Andrade Pereda, de 25 anos, é uma das alunas da Bicho D’água. Ela malha quatro vezes por semana e paga R$ 145 de mensalidade. Mas não reclama do preço. “Freqüentar academia me dá muito prazer. É um dinheiro muito bem gasto.”

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