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CPI da Covid: saiba como foi o depoimento de Queiroga aos senadores

Titular do Ministério da Saúde do governo Bolsonaro admitiu que inflou dados de vacinas contratadas pela pasta

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participou nesta quinta-feira, 6, da CPI da Covid, que investiga a gestão da pandemia do coronavírus no Brasil. A senadores, ele admitiu ter divulgado um número inflado de vacinas já contratadas pela pasta. Como o Estadão revelou, a pasta informou ao Congresso ter adquirido só metade das 560 milhões anunciadas em propaganda. 

 

Ao ser questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) sobre qual o número de vacinas que de fato já foram compradas, Queiroga se contradisse. Primeiro, insistiu que o número de doses contratadas era de 560 milhões. Depois de receber informações do secretário executivo do ministério, Rodrigo Otávio da Cruz, admitiu que o número era menor e citou a quantidade de 430 milhões de doses.

 

Ao longo da sessão, o ministro da Saúde evitou responder se apoia ou não prescrição da cloroquina para pacientes com covid-19, sob o argumento de que “essa é uma questão de natureza técnica". 

 

O depoimento de Queiroga começou às 10h21. Em sua fala inicial, antes de ser interrogado pelos senadores, ele destacou o papel da vacinação para enfrentar a pandemia de coronavírus no Brasil. “Hoje, temos mais de 400 mil óbitos. Cabe a nós, homens públicos, oferecer as respostas. Foi com esse espírito que aceitei a convocação do presidente da República para conduzir o destino do Ministério da Saúde nessa época de grande gravidade."

 

Sem detalhar, o ministro disse ser contra a quebra de patentes de vacinas, após ser questionado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). Mais cedo, no Senado, Queiroga disse que o temor é que "mesmo com a quebra da patente não consiga produzir vacinas no Brasil”.

 

A fala de Queiroga acontece após dois dias de participações de ex-ministros do governo Bolsonaro na comissão. Na terça, Luiz Henrique Mandetta respondeu perguntas dos senadores. Ontem, Nelson Teich. O antecessor direto de Queiroga, Eduardo Pazuello, tinha depoimento marcado também para ontem, mas alegou suspeita de covid-19 e agora sua participação será no dia 19.

 

Além de Queiroga, também seria ouvido nesta quinta na CPI o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, mas o depoimento de Barra Torres foi adiado para terça-feira, 11. O chefe da Anvisa deve ser questionado sobre os processos de liberação de imunizantes contra a covid-19.

 

Veja o calendário de depoimentos na CPI da Covid no Senado:

 

04/05 - Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro. Veja como foi.

05/05 - Nelson Teich, ex-ministro. Veja como foi. 

06/05, 10h - Marcelo Queiroga, ministro da Saúde

11/5 - Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa (depoimento adiado)

19/05 - Eduardo Pazuello, ex-ministro (depoimento adiado)

 

Assista à sessão:

 

 

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  • 20h54

    06/05/2021

    Encerramos aqui a nossa cobertura de mais um dia de depoimento à CPI da Covid. Na próxima terça-feira, 11, os senadores da Comissão vão ouvir o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Continue acompanhando a cobertura pelo nosso site: https://www.estadao.com.br/ Obrigada!

  • 20h45

    06/05/2021

    Depoimento de Queiroga é encerrado.

  • 20h42

    06/05/2021

    'Torço para que o presidente da República não seja o culpado', diz Renan

     

    O relator da Comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta quinta-feira, 6, que torce para que o presidente Jair Bolsonaro não seja o culpado, o responsável pela atual "inação" na pandemia. 

     

    Durante a sessão, Renan afirmou que o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar CPI da Covid nesta quinta-feira, 6. Em live, segundo o relator, Bolsonaro disse que "frase não mata ninguém". "O que mata é desvio de recurso público que o seu Estado desviou. Vamos investigar o seu filho que a gente resolve esse problema. Desvio mata, frase não mata", disse o presidente. 

     

    "Queria dizer, com todo respeito ao presidente da República, que o que mata é a pandemia. Pela inação e inépcia que eu torço que não seja dele. Porque nós não queremos fulanizar isso daqui", afirmou Renan. "Com relação ao Estado de Alagoas, que ele não gaste seu tempo ociosamente, como tem gasto o seu tempo, enquanto os brasileiros continuam morrendo. Aqui nessa Comissão Parlamentar de Inquérito, se houver necessidade, todos, sem exceção, serão investigados."

  • 20h29

    06/05/2021

    Queiroga defende aprimoramento do sistema de informação do Ministério da Saúde

     

    Questionado sobre a falta de transparência do Ministério da Saúde na divulgação das informações da pandemia, Queiroga defendeu o aprimoramento do sistema de informação da pasta. "O Ministério da Saúde deve ser a fonte de referência, sim, para informações à população", disse ele. "Assim sendo, naturalmente nós teremos informações de mais qualidade que serão úteis não só para a gestão pública, mas para atender ao requisito de publicidade próprio da administração pública."

  • 20h23

    06/05/2021

    Queiroga diz que não tomou cloroquina ou ivermeticina: 'Nunca usei. Eu tomei vacina'

     

    Em resposta ao senador Fabiano Contarato (Rede-ES), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que nunca tomou cloroquina e ivermeticina. "Nunca usei. Eu tomei vacina."

     

    Durante sessão da Comissão, que começou ainda cedo, Queiroga disse que é preciso trabalhar para se ter uma recomposição das verbas do Ministério da Saúde. "Nós temos dialogado com o ministro Paulo Guedes." 

  • 19h55

    06/05/2021

    'Presidente me deu autonomia para conduzir o Ministério da Saúde. E eu espero que assim seja', diz Queiroga

     

    O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro te deu autonomia para conduzir o Ministério da Saúde. "Presidente me deu autonomia para conduzir o Ministério da Saúde. E eu espero que assim seja", afirmou em sessão da CPI da Covid. 

     

    O ministro assegurou que tem total autonomia e que todas as orientações, encaminhamentos e protocolos nascem exclusivamente de decisões autônomas do Ministério da Saúde. "Nós temos autonomia para constituir a nossa equipe", afirmou. 

     

    A resposta se deu após uma pergunta da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre uma possível imposição da utilização da cloroquina, citada por dois ex-ministros na CPI. O atual ministro disse que não faria juízo de valor sobre falas feitas na CPI, mas depois afirmou que o presidente, no seu ponto de vista, defende apenas a "autonomia dos médicos".

     

    A respeito do conselho dado por Pazuello de não "ceder" às pressões, Queiroga disse que não "recebeu pressão nenhuma de políticos". Queiroga ainda disse desconhecer a existência de lobby para incentivar o uso cloroquina e da ivermectina.

  • 19h44

    06/05/2021

    Queiroga evita comentar declarações de Bolsonaro sobre a China e diz que ministério tem relação 'muito boa' com o país

     

    Questionado se as insinuações de Jair Bolsonaro contra a China colocam em risco o plano de vacinação do Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga se limitou apenas que a dizer que pasta tem uma relação "muito boa" com o embaixador chinês e está trabalhando para "ampliar ainda mais essa relação". "Sou ministro da Saúde, não compete a mim fazer juízo de valor acerca das declarações do presidente da República." 

     

    Após afirmar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil, o ministro pontuou que nesta quinta-feira, 6, o seu secretário executivo se reuniu com a farmacêutica chinesa Sinopharm e na sexta, 7, ele terá uma reunião virtual com o embaixador chinês junto com o chanceler Carlos França.

  • 18h57

    06/05/2021

    Omar Aziz diz que visita de Onyx a Pazuello é 'questão pessoal deles'; Renan nega busca e apreensão 

     

    O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que a visita do ministro Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral da Presidência) ao ex-ministro e general Eduardo Pazuello nesta quinta-feira, 6, é "uma questão pessoal deles" e não se pode "fazer mais nada". O relator da Comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), negou busca e apreensão no local, mas disse que ele precisa deixar de usar o Exército como "biombo" para não ir à CPI

     

    "Não foi o ex-ministro Pazuello que foi ao Onyx. Foi o Onyx que foi fazer uma visita e isso é uma questão pessoal deles. Ninguém pode proibir alguém de visitar alguém, mesmo que esteja com suspeita de covid. Nós não temos poder pra isso", afirmou em sessão da CPI. "Espero que se o ex-ministro Pazuello estiver com covid, o ministro Onyx não se contamine. No mais, não podemos fazer mais nada."

     

    Senadores chegaram a propor que Pazuello, general da ativa do Exército, seja alvo de condução coercitiva para depor perante a CPI da Covid. A sugestão ocorreu após o Estadão noticiar a visita de Onyx ao ex-ministro nesta tarde.

     

    O relator da CPI, senador Renan Calheiros, afirmou que a busca e apreensão seria uma requisição em "caso gravíssimo". "E eu confio no bom senso dele, eu acho que isso não vai acontecer", afirmou em sessão da CPI. Ele disse que Pazuello "precisa colaborar" e deixar de usar o Exército como "biombo" para não vir à CPI. "Isso é extremamente irresponsável."

  • 18h44

    06/05/2021

    Senado retoma sessão da CPI da Covid com o ministro Marcelo Queiroga.

  • 17h12

    06/05/2021

    Depoimento do presidente da Anvisa é adiado para terça-feira

     

    Como o depoimento do ministro Marcelo Queiroga se estendeu, foi adiado para a próxima terça-feira, 11, o depoimento do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Pelo novo calendário, na quarta-feira, 12, será ouvido o ex-secretário de comunicação do governo federal, Fabio Wajngarten, e, na quinta, o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, além de um representante da farmacêutica Pfizer.

  • 17h10

    06/05/2021

    Senador cita informações enganosas sobre tratamento precoce e origem do vírus

     

    Ao defender o chamado “tratamento precoce” - kit de remédios sem eficácia comprovada contra a covid-19 - o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) citou uma série de personagens que já apareceram em checagens do Estadão Verifica. Um deles é o francês Didier Raoult, o primeiro defensor da cloroquina. Ele foi criticado pela comunidade científica mundial por usar métodos duvidosos em suas pesquisas. 

     

    Outro citado pelo senador, Luc Montagner causou polêmica ao afirmar que o coronavírus teve origem em um laboratório chinês. Na realidade, as melhores evidências disponíveis atestam que o vírus tem origem natural

     

    Heinze também mencionou Nise Yamaguchi, médica defensora do “tratamento precoce”. Ela afirmou em entrevistas que vacinas precisavam de ao menos 10 anos de pesquisa para serem consideradas seguras. Isso foi desmentido pelo Estadão Verifica em parceria com o projeto Comprova.

     

    O senador falou ainda de cidades que usariam o “tratamento precoce” em massa, com bons resultados. Mas o Estadão Verifica já mostrou várias vezes que dados epidemiológicos de um município não servem para atestar a eficácia de um medicamento

  • 17h01

    06/05/2021

    Queiroga diz que quebra de patentes pode afetar ritmo de entrega de vacinas

     

    Após dizer que é contra a quebra de patentes de vacinas contra a covid-19, Queiroga foi novamente questionado e disse ter receio de que a medida possa "prejudicar o ritmo de entrega de vacinas para o Brasil". "É um tema que a OMS também discute e temos que evoluir no entendimento dessa matéria."

     

    Questionado sobre o ritmo da vacinação no Distrito Federal, que em fevereiro era a unidade da federação que mais tinha vacinado em termos proporcionais e, agora, está na nona posição, Queiroga afirmou que não há distinção na distribuição de vacinas entre Estados e municípios, com exceção do Amazonas. "Desconheço que haja algum tipo diferenciado de tratamento ao Distrito Federal." 

     

    Bianca Gomes

  • 16h57

    06/05/2021

    Sessão da CPI é suspensa

     

    O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), teve de suspender novamente a sessão pois, no plenário do Senado, serão votados projetos de lei que estão na ordem do dia. Aziz garantiu que, após a votação no plenário, a CPI vai retomar a sessão para que os últimos senadores possam fazer suas perguntas ao ministro Marcelo Queiroga

  • 16h46

    06/05/2021

    Queiroga espera vacinar toda a população adulta até o fim de 2021

     

    O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou na CPI da Covid que sua expectativa é que o Brasil tenha toda a população acima de 18 anos vacinada até o final do ano. Segundo ele, a meta já é “arrojada” no contexto que temos atualmente e depende da chegada de todas as doses contratadas. 

     

    “Vamos trabalhar (para ser mais rápido). Estamos discutindo com outras farmacêuticas, estamos procurando incentivar os dois institutos para que consigam produzir mais”, afirmou em resposta ao Senador Reguffe (Podemos-DF). 

     

    Segundo o ministro, a luta por mais doses é “diária”. “Temos dialogado fortemente com as embaixadas, com as indústrias que produzem doses prontas”, afirmou. Queiroga disse que visitou o Instituto Butantan na segunda-feira e teve um diálogo “muito produtivo” com Dimas Covas e os demais diretores. “Estou procurando fazer a minha parte. Não depende só de mim.” 

     

    O ministro citou a publicação, no Diário Oficial da União, que dispensa licitação para aquisição de mais 100 milhões de doses da Pfizer. Ele disse crer que o governo terá já esse segundo contrato com a Pfizer firmado. “É uma esperança para nós conseguirmos ampliar o nosso programa de vacinação.”

     

    O ministro afirmou ainda que o ministério da Saúde está avançando no tema das “síndromes pós-covid” e das doenças prevalentes. Ele não deu, no entanto, nenhum detalhe. “Sabemos que está, felizmente, caindo o número de casos, mas nós podemos ter uma segunda onda de doenças cardiovasculares, das cirurgias eletivas que estão represadas. Há um cenário sanitário de complexidade.”

     

    Bianca Gomes

  • 16h03

    06/05/2021

    TV Estadão: ‘Problema de defender imunidade de rebanho é contar com aumento de óbitos’, diz Queiroga

     

     

    Indagado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sobre a teoria da imunidade de rebanho como estratégia para conter a covid-19, Queiroga disse que “a vacina é o que vai trazer a imunidade da população brasileira”. Segundo essa teoria, a exposição ao vírus criaria uma proteção contra a doença. Bolsonaro chegou a comparar o coronavírus a uma chuva, dizendo que grande parte da população vai se molhar, o que foi associado a essa teoria. 

     

    “O problema de defender essa estratégia é contar com aumento de óbitos”, disse Queiroga. Na véspera, o ex-ministro Nelson Teich também criticou essa estratégia.

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