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Youssef deve ser solto nesta terça, prevê defesa

Pedro Venceslau e Cinthia Alves - O Estado de S.Paulo

20 Maio 2014 | 09h 58

Doleiro preso na Operação Lava Jato e mais nove acusados aguardam esclarecimentos de ministro do STF sobre extensão da liberdade concedida ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, liberado na tarde dessa segunda-feira

CURITIBA - A previsão dos advogados do doleiro Alberto Youssef é que ele seja liberado nesta terça-feira, 20, da carceragem da PF em Curitiba por volta do meio dia. Seus familiares pretendem, em seguida, interná-lo em uma clínica de São Paulo ou de Curitiba. Segundo seu advogado, Antonio Figueiredo, o doleiro é cardiopata e seu estado clínico não seria bom.

Youssef e mais nove investigados na Operação Lava-Jato da Polícia Federal continuam presos no Paraná mesmo após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, dessa segunda-feira, 19, que determinou a soltura de todos os réus envolvidos no esquema. O doleiro é o principal acusado na investigação de lavagem de dinheiro com movimentações que ultrapassam R$ 10 bilhões, segundo a Polícia Federal. Ele está preso desde 17 de março.

Os advogados dos réus acreditavam que seus clientes seriam soltos ainda na noite dessa segunda-feira, após o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa ter saído da carceragem em Curitiba durante a tarde. Mas o juiz da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Sergio Fernando Moro, que acompanha o inquérito da Operação Lava Jato, encaminhou ofício ao ministro do STF questionando a soltura dos outros detentos.

A resposta de Zavascki ao juiz do Paraná foi publicada no sistema do STF por volta das 20h, mas houve dificuldades para abrir o documento eletrônico. A publicação na internet é exigência para o alvará de soltura. O advogado de Youssef informou que vai enviar uma petição ao Supremo para ter acesso ao arquivo e acredita que só vai conseguir uma resposta após às 11h desta terça.

O advogado Marden Maués, que representa a doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama, também permaneceu na sede da carceragem da Polícia Federal até às 22h na esperança de conseguir soltar a cliente, mas desistiu ao saber que o arquivo do STF não estava acessível.

Decisão. Teori Zavascki atendeu a um pedido da defesa de Paulo Roberto Costa para que o processo fosse analisado pelo STF com o argumento de que três nomes citados na investigação são deputados federais - André Vargas (sem partido-PR), Luiz Argôlo (SDD-BA) e Cândido Vacarezza (PT-SP). O magistrado suspendeu os inquéritos e pediu que os autos fossem remetidos ao STF. Para o ministro, não compete ao juiz desmembrar o processo enviando partes que se referem apenas àqueles que possuem foro privilegiado.

No ofício em que questiona o alcance da decisão, Sergio Moro alerta sobre o risco de fuga dos acusados. "Um deles, Sleiman, que não foi preso preventivamente, já está foragido", informa o juiz. "Outro está preso na Espanha. Assim, muito respeitosamente, indago à V.Ex.ª o alcance da decisão referida, se este feito de tráfico de drogas e lavagem também deve ser remetido ao Supremo Tribunal Federal e se devem ser colocados soltos os acusados neste feito, entre eles Renê Luiz Pereira, preso por risco à ordem pública pelo indícios de envolvimento em organização criminosa responsável por tráfico de cerca de 750 kg de cocaína."

A partir de agora, serão os ministros do STF quem decidirão, em plenário, quais acusados terão direito ao foro privilegiado, ou seja, julgados na Corte e se alguns serão transferidos para análise dos juízes de primeira instância. Caberá também aos magistrados anular ou manter os atos praticados pelo juiz Sergio Moro. Os advogados de defesa acreditam que seus clientes responderão ao processo em liberdade, mas tanto as prisões quanto as solturas podem ser revogadas.

Continuam presos na carceragem da Polícia Federal do Paraná: Alberto Youssef, Carlos Habib Chater, Raul Henrique Srour, Nelma Mitsue Penasso Kodama, Luccas Pace Júnior e Faiçal Mohamed Nacirdine. Outros cinco acusados estão na casa de Custódia na Região Metropolitana de Curitiba: Ediel Viana da Silva, André Luis Paula Santo; Carlos Alberto Pereira da Costa, Rene Luiz Pereira, André Catão de Miranda. Estão foragidos Sleiman Nassim El Kobrossy e Iara Galdino da Silva.