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Wagner mantém prestígio com Dilma, dizem assessores

Presidente não teria visto gravidade no conteúdo das mensagens interceptadas pela Lava Jato, nas quais o ministro da Casa Civil é citado

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Tânia Monteiro,
O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2016 | 14h09

Brasília - Interlocutores diretos da presidente Dilma Rousseff afirmam que as reportagens sobre mensagens trocadas entre um executivo da empreiteira OAS e o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, não abalaram a credibilidade do ex-governador da Bahia pelo PT dentro do governo. A presidente, que está no Rio Grande do Sul com a família por causa do nascimento do segundo neto, não teria visto gravidade no conteúdo das mensagens interceptadas pela Operação Lava Jato, reveladas nesta quinta-feira, 7, pelo Estado.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que é normal governadores procurarem "quem for preciso" para garantir o pagamento e a continuidade das obras em seus Estados, pois seria uma forma de preservar empregos. Na avaliação de um interlocutor de Dilma. estão querendo “criminalizar” uma atividade normal: a autoridade tentar assegurar que a obra não seja paralisada. "Isso não significa que houve obtenção de qualquer tipo de vantagem pessoal", disse a fonte.

Na edição impressa de quinta-feira, o Estado revelou que em mensagens obtidas pela Operação Lava Jato com a apreensão do celular do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, o ministro Jaques Wagner fala sobre a liberação de recursos do governo federal. Os diálogos, segundo os investigadores, também indicariam que Wagner intermediou negociações para o financiamento de campanhas eleitorais em Salvador, em 2012, no período em que esteve à frente do governo da Bahia (2007-2014). O diálogo foi considerado "grave" por investigadores.

Um dos primeiros a sair em defesa de Wagner foi o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, outra autoridade que pode virar alvo de investigação por causa das mensagens no celular de Léo Pinheiro, relacionadas a arrecadação para a campanha à reeleição de Dilma, em 2014. "Onde há ilícito em governador debater com empresários? Onde há ilícito em se manter contatos trabalhadores ou lideranças da sociedade?", indagou Edinho na quinta-feira. O ministro foi citado

Cerveró. Sobre as notícias divulgadas de que o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou que o atual ministro-chefe da Casa Civil teria recebido "um grande aporte de recursos" para sua campanha ao governo do Estado da Bahia, em 2006, com valores supostamente desviados da petrolífera, um outro auxiliar da presidente afirmou que é preciso haver prova do que afirma o delator. Uma das avaliações no Planalto é de que Wagner virou a “bola da vez” em um tiroteio para tentar derrubá-lo do cargo.

Em relação ao presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, cujas denúncias falam de suposto esquema ilícito de compra de debêntures (títulos da dívida) da OAS quando comandava o Banco do Brasil, no Planalto a avaliação é de que não há indícios de que ele tenha cometido qualquer irregularidade. Assessores palacianos lembraram que o presidente do BB não toma decisões monocráticas e que elas passam pelo colegiado diretor do órgão. Além disso, a emissão das debêntures não ocorreu.

A presidente disse ontem a jornalistas e os auxiliares repetiram hoje que a "espetacularização" das investigações não é boa e que estão convencidos de que haveria um vazamento “proposital e direcionado” para atingir determinadas autoridades sem dar a elas o direito de defesa.

 

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