Votação da reforma política começa por lista partidária

Proposta seguirá para debate na Câmara nesta quarta, mas resultado é imprevisível

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

Em discussão de resultado imprevisível, o plenário da Câmara começa a votar nesta quarta-feira o projeto de reforma política por seu ponto mais polêmico: a chamada lista fechada ou pré-ordenada, mecanismo pelo qual o eleitor escolhe o partido, que terá uma lista de nomes, e não mais o candidato de sua preferência. Depois de várias reuniões, muitas bancadas chegarão divididas na sessão desta tarde. Levantamentos feitos pelos líderes e por deputados mostram que há maioria para aprovação da lista fechada nas maiores bancadas. No PMDB e no PT, 60% do total estão a favor. No DEM, a questão foi fechada, ou seja, todos os deputados deverão votar a favor. A Executiva do PT antecipou para esta quarta-feira a reunião com os parlamentares com a intenção de fechar questão a favor da lista. Entre as bancadas médias e menores, o PC do B também fechou questão e os 13 deputados deverão votar a favor. No PPS, a maior parte da bancada também está a favor. A bancada do PSDB está rachada, 56% a favor e o restante contrário, e vai tentar chegar a uma maioria em nova reunião nesta tarde. Entre os contrários à lista partidária estão o PDT, o PP, o PR, cerca de 70% do PTB, e a grande maioria do PSB. "A lista tira do eleitor o direito de escolher seu candidato", afirmou o líder do PSB, Márcio França (SP). "Com a lista, vamos criar uma ditadura dos partidos. O eleitor vai perder a identidade com o candidato", argumentou o líder do PR, Luciano Castro (RR). Risco No PMDB, apesar de os deputados estarem liberados para votar como quiser, o líder da bancada, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que vai se manifestar no plenário pelo voto a favor da lista fechada. "A lista divide muito. Toda mudança tem seu risco, mas prefiro que o partido escolha, faça a lista, do que o poder econômico", disse o líder peemedebista. A ordem da votação dos itens da reforma política foi acertada ontem em reunião do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e os líderes partidários. "Vamos começar pela mais difícil e a que terá maior repercussão nas mudanças", afirmou o vice-líder do governo Ricardo Barros (PP-PR). O acordo foi apenas de procedimento na votação, porque a divisão das bancadas não permitiu avanços quanto aos pontos da proposta. "Não há consenso entre os partidos nem internamente nas bancadas. Dificilmente se convence algum deputado a votar uma regra na qual ele não terá chance de se reeleger", avaliou Barros. Depois da lista pré-ordenada, os deputados votarão o item que prevê o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais. Somente após essas duas votações é que entrarão outros temas como regras de fidelidade partidária e o fim das coligações. Nesses dois pontos as divergências são bem menores. As votações dos pontos do projeto serão nominais para que cada deputado deixe sua posição clara. Onde há consenso Votação em lista fechada Em vez de eleger individualmente o candidato a vereador e a deputados, o eleitor passaria a votar em lista fechada, previamente ordenada pelos partidos. Se a sigla tiver 5 cadeiras, elas serão ocupadas pelos primeiros 5 nomes da lista Financiamento público Saem recursos privados e só fica o financiamento público, em que o Tesouro destina R$ 7 por eleitor, via Orçamento. Com 126 milhões de eleitores, seriam R$ 881,3 milhões para financiamento

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