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Fabio Motta/Estadão

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'Vocês não vão me destruir', diz Lula sobre acusações de adversários

Durante a festa de 36 anos do PT, ex-presidente pediu que o partido ajude a presidente Dilma Rousseff

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Luciana Nunes Leal, Vera Rosa e Ricardo Galhardo,
RIO

27 Fevereiro 2016 | 21h29

Em discurso de desabafo durante a festa de 36 anos do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o partido ajude a presidente Dilma, atacou a imprensa, defendeu-se das suspeitas de ser proprietário oculto de um apartamento e um sítio e anunciou que se necessário será candidato a presidente em 2018.

“O Lula paz e amor vai ser outra coisa daqui para  frente”, afirmou, diante de uma plateia de cerca de 1.500 pessoas, metade do esperado pela organização da festa. “Eu queria dizer para eles: vocês não vão me destruir, vamos sair mais fortes dessa luta", avisou aos adversários. O petista disse estar “acabrunhado” e “de saco cheio” com as investigações que sofre do Ministério Público de São Paulo e na Operação Lava Jato.

Lula disse que o sítio em Atibaia frequentado por ele e sua família foi comprado pelo amigo Jacó Bittar e outros companheiros como uma “surpresa” para ele usufruir depois de deixar a presidência. “A chácara não é minha”, insistiu. Lula fez duros ataques a revistas e o Ministério Público. 

Dilma. No discurso, o ex-presidente fez um apelo para que o partido ajude Dilma Rousseff a governar, deixando de lado as divergências. “Queria fazer um apelo porque a companheira Dilma, sozinha, não terá força para resolver esse problema”, disse Lula, numa referência à crise. “Dilma precisa de nós para sobreviver aos ataques que está sofrendo. Não pode, num momento de crise, virar as costas e falar que o problema não é meu. Esse governo é nosso e temos de ter responsabilidade de ajudar, de discutir saídas”.

Embora houvesse na plateia uma faixa com a inscrição “Dilma, chega de ajuste fiscal e superávit!”, quando Lula pediu ajuda à presidente, a plateia gritou várias vezes “Não vai ter golpe”. 

Para o ex-presidente, o PT não precisa concordar com tudo o que Dilma faz, mas, mesmo assim, deve ajudar o governo a superar a crise. “Nós temos que saber é que estamos juntos. Isso é que nem casamento. Ela pode brigar com você, mas você é marido dela”, comparou.

Eleições. Em uma referência à disputa presidencial de 2018, Lula desafiou a oposição a lançar um candidato competitivo. "Se quiserem voltar ao poder, se preparem para 2018 e vamos disputar democraticamente. Sacanagem a gente não aceita", afirmou em tom inflamado. O petista se queixou, ainda, da cobertura da imprensa sobre acusações que pesam sobre petistas e outros aliados do governo. "Temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, um partido chamado Outros Jornais, que são a oposição desse País", reclamou.

Lula  disse que a próxima disputa deve abarcar um debate de projetos e citou uma série de realizações de seu governo, especialmente inclusão social. O petista admitiu que a situação no País "não é das melhores" e comparou com o Vasco da Gama, seu time no Rio, que caiu para a segunda divisão. "Vocês sabem o que aconteceu, o Vasco caiu e eu continuo vascaíno", discursou. 

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