Alexandro Auler/Estadão - 12.02.2015
Alexandro Auler/Estadão - 12.02.2015

Vivendo na periferia, Henrique Pizzolato se apresentava apenas como italiano

Após fuga do Brasil, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, que tem nacionalidade italiana, morou em apart-hotel em Formigini

Jamil Chade, enviado especial, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2015 | 06h08

Formigini (Itália) - Morador de uma cidade de periferia, Formigini, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato mantinha um perfil baixo enquanto esteve solto desde outubro de 2014. Nessa quinta-feira, 12, Pizzolato, condenado por envolvimento no mensalão, se apresentou à uma delegacia depois que a Corte de Cassação de Roma decidiu que ele pode ser extraditado e ordenou sua volta à penitenciária. 

O brasileiro, segundo a polícia local, levava uma "vida ordinária". Oficialmente, seu endereço era o de Maranello, na casa de um sobrinho. Mas, para evitar um assédio, ele havia se mudado com a mulher para um apart-hotel de classe média em Formigini, o GreenPark, com um custo de 1,2 mil euros por mês e que chega a ser usado pelo governo italiano para abrigar refugiados. 

O local, de aparência modesta, fica em um complexo que ainda conta no prédio ao lado com uma casa de apostas e um restaurante brasileiro. 

O Estado esteve no local e comprovou que Pizzolato apenas se apresentava como um cidadão italiano. Desde que fugiu do Brasil, ele apenas conta com documentos europeus. Sua esposa, Andrea Haas, se registrou como espanhola, nascida no Brasil. 

O que a polícia não sabia era que não vivia onde dizia estar. Na noite anterior ao início do julgamento, ele foi ainda até a Modena a um grupo religioso fazer a leitura da Bíblia. Seus colegas garantem que ele estava "muito tranquilo". Todos na igreja evangélica de Modena, sabiam que o dia seguinte seria decisivo. 

A decisão da Corte, de todas as formas, criou inicialmente uma confusão entre a Interpol, a polícia e as autoridades. Não havia nenhum tipo de monitoramento especial ao condenado e, segundo a polícia local, todas as vezes que ele foi contactado, atendeu os pedidos com uma "precisão de um relógio suíço". 

A ordem de prisão, porém, já havia sido lançada na noite anterior. A polícia de Modena já havia sido ordenada a realizar a prisão, por volta das 20 horas. Uma operação foi lançada e viaturas seguiram para o endereço dado por Pizzolato para a polícia local, a casa de seu sobrinho em Maranello. Mas os policiais não encontraram ninguém e passaram a suspeitar que uma fuga tivesse sido organizada. 

Ele chegou a ser considerado por algum tempo como foragido, o alerta vermelho da Interpol foi acionado e os policiais chegaram a ligar para jornalistas para saber se alguém conhecia outros endereços do condenado. 

As autoridades logo descobriram que ele estaria na cidade Formigini - 15 minutos de Modena - e uma nova busca começou, também sem resultados. "Nós não sabíamos onde procurar", admitiu o capitão Luca Trecanni, da polícia de Modena. Segundo ele, um levantamento dos brasileiros na região chegou a ser realizado.

Mas um alívio geral foi sentido quando, as 11h30 da manhã desta quinta-feira, Pizzolato decidiu se entregar na delegacia de Maranello. 

Ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão. Mas, há um ano e cinco meses, fugiu do País com um passaporte falso e declarou que confiava que a Justiça italiana não faria um processo político contra ele, como acusa a Justiça brasileira de ter realizado. Em primeira instância, a Corte de Bolonha negou sua extradição argumentando que as prisões brasileiras não têm condições de recebê-lo. Ao sair da prisão, declarou que havia fugido para "salvar sua vida" e elogiou a Justiça italiana por "não ceder aos interesses da imprensa".  

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