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Política

Lulinha

Vinhos, charutos e uma casa no paraíso

O empresário Jonas Leite Suassuna Filho, um dos donos do sítio em Atibaia frequentado pela família do ex-presidente Lula também é proprietário de uma casa na praia em Angra dos reis, no Rio de Janeiro, onde Lulinha já foi visto algumas vezes

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Luciana Nunes Leal e Alfredo Mergulhão, enviado especial a Angra dos Reis,
O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2016 | 16h48

Um dos donos do sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Atibaia (SP), o empresário Jonas Leite Suassuna Filho é conhecido na alta sociedade da Barra da Tijuca, bairro onde mora na zona oeste carioca, pelo gosto por vinhos, charutos cubanos, fina gastronomia e obras de arte. Em junho de 2013, a festa de casamento dele com Claudia Bueri, também empresária, foi reservada a 70 convidados e tema de colunas sociais, que registraram com fotos a cerimônia realizada no apartamento do casal, um duplex no sofisticado Condomínio Península.

Amigos de muitos anos sabem do gosto do casal pela casa na Ilha dos Macacos, em Angra dos Reis (sul fluminense), comprada por Suassuna há cerca de cinco anos, mas não sabiam da propriedade no interior paulista. A ligação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com um dos filhos do petista, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também não é muito comentada por Jonas, segundo amigos.

“Jonas Suassuna é um rapaz trabalhador, sempre foi rico, ele não fez fortuna em Lava Jato nenhuma”, elogia a socialite Vera Loyola, símbolo da chamada sociedade emergente da Barra da Tijuca, que conhece o empresário há 20 anos. “Já fui convidada algumas vezes para a casa de Angra, mas não conheço. Não sabia que ele tinha esse sítio. Se ele emprestou ao presidente Lula, não há por que recriminá-lo. Nunca ouvi falar mal de Jonas Suassuna. É um rapaz bem educado, generoso, é o primeiro a ajudar quando fazemos obras de caridade”, disse ela.

Suassuna é dono, em sociedade com os filhos, Bianca e Caio, do Grupo Gol, conglomerado que reúne editora de material impresso e virtual, empresas de tecnologia da informação, criação de aplicativos, como o “Bíblia no celular”, que permite ao usuário ler e ouvir trechos, na voz do locutor Cid Moreira.

O empresário já havia sido bem sucedido com a venda de CDs em que Cid lê trechos do livro sagrado. Foram vendidos 30 milhões de CDs. Suassuna foi pioneiro na associação com jornais e revistas para venda casada de CDs e DVDs encartados nos exemplares.

Durante alguns anos, o Grupo Gol pagou o apartamento onde Lulinha morava, nos Jardins, em São Paulo. Agora, Lulinha mora em apartamento em Moema, de propriedade de Jonas Suassuna.  Lulinha e Suassuna são sócios na empresa Gamecorp.

Outro amigo que já tinha ouvido falar muitas vezes da casa de Angra dos Reis, mas desconhecia a existência do sítio em Atibaia, é o empresário Eder Meneghine, produtor de festas badaladas na Barra. Foi dele a produção do casamento de Suassuna e Claudia. “Soube do sítio em Atibaia quando li nos jornais. Jonas sempre foi uma pessoa maravilhosa. Poucos clientes nos pagam antecipado, à vista. Jonas é um deles. Ele quer o melhor vinho, o melhor (charuto) cubano, a melhor roupa, tem muito gosto para arte. Tenho um carinho especial por ele. Jonas sempre foi rico, nunca vi pobreza”, comenta o produtor.

Em 1993, quando tinha uma agência de marketing, Suassuna participou da fundação e integrou a primeira diretoria do Instituto Atlântico, entidade sem fins lucrativos dedicada a criar e implementar projetos de modernização econômica e social. O instituto é crítico aos rumos dos governos petistas de Lula e da presidente Dilma Rousseff e defende bandeiras como a reforma da previdência e a unificação dos tributos. “Jonas fazia parte do Grupo de Intercâmbio Empresarial, que reunia jovens empresários. Seu nome foi indicado para o Instituto Atlântico. Era um rapaz de 30 e poucos anos, muito bom em marketing, muito dinâmico. Sempre foi um empresário arrojado e inquieto. Deu uma boa contribuição ao instituto, mas por pouco tempo. Participou apenas da gestão de 1993 a 1995”, lembra o economista Paulo Rabello de Castro, fundador e hoje presidente do Instituto Atlântico.

Suassuna também já integrou o conselho deliberativo da Associação Comercial e Industrial da Barra da Tijuca (Acibarra), presidida pelo primo Ney Suassuna, ex-senador e dono da rede colégios Anglo Americano. “Conheci Jonas Suassuna como sobrinho (sic) do Ney Suassuna. Conheço Jonas, mas não somos próximos”, disse o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Ilha. As paredes da fachada em vidro verde, de frente para o mar, cercadas por palmeiras e com a Mata Atlântica ao fundo, chamam a atenção de quem navega ao largo da Ilha dos Macacos, vizinha à turística Ilha Grande, joia do litoral do Estado do Rio. Isolada no trecho voltado para o continente, a casa está a cerca de 300 metros da piscina natural da Lagoa Azul, famosa pelas águas transparentes. É neste cenário raro, de natureza quase selvagem, que fica a residência de veraneio de Jonas Suassuna.

A história que se conta na Ilha Grande, sem comprovação documental e sem testemunhas que o tenham visto, é de que a casa pertence ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pai de Lulinha. “A gente passa aqui com turistas e mostra essa casa como se fosse do Lula. Eu não tenho certeza, mas o comentário é esse. Todo mundo diz isso”, afirmou o condutor de táxi boat Bruno Moreira, de 32 anos. Morador da Vila do Abraão, a área urbana da Ilha Grande, distrito de Angra, ele vive da renda obtida com passeios turísticos no arquipélago. Um dos roteiros passa junto à Ilha dos Macacos.

A casa de Suassuna possui um deck usado para pouso de helicópteros e um píer exclusivo para lanchas, vigiado por duas câmeras de segurança. Não há uma praia particular. A faixa de areia ao lado do imóvel é pequena e tomada por pedras. Na subida da maré, ela submerge.

“Quando eles (Suassuna e os convidados) vêm, mandam até ‘coar’ a areia para poder pisar”, disse Odileia Generoso, de 63 anos, moradora de uma das outras três casas da Ilha dos Macacos. Ela conta já ter visto o filho do ex-presidente na casa do vizinho. “Lulinha já esteve aí várias vezes. O Lula, eu só ouvi falar”, afirmou.

Odileia habita há 30 anos uma casa simples, de dois quartos, construída em madeira sobre a areia na Ilha dos Macacos. Da prainha onde mora saía uma trilha que chegava à casa de Suassuna. “Depois da reforma colocaram cerca e não tem como ir para lá andando”, afirmou ela.

Durante a reforma, feita há cerca de dois anos, embarcações traziam os materiais de construção de Angra. Nesta semana, a colunista social Anna Ramalho divulgou, em seu site, que a obra custou entre R$ 3 milhões e 4 milhões, custeados por Suassuna, que teria supervisionado pessoalmente os trabalhos, sendo que em uma ocasião na companhia do sócio Lulinha.

O caseiro que cuida da propriedade de Suassuna, e que se identificou apenas como Sebastião, negou que haja relação do imóvel com Lula e Lulinha.

“Sempre passa um povo aqui de barco xingando o Lula, mas essa casa não tem nada a ver com ele. Aqui é da família Suassuna. O resto é boato, cada um fala o que quer”, afirmou.

Advogado. O advogado Wilson Pimentel, que há dez anos atende Jonas Suassuna, informou ao Estado que o empresário comprou o imóvel na Ilha dos Macacos há cerca de cinco anos e que já recebeu na casa a visita do ex-presidente Lula e de seu filho Lulinha. Afirmou, porém, que Lula e o filho jamais dormiram na casa. Segundo Pimentel, Lula e Lulinha estavam a passeio em Angra e fizeram visitas durante o dia. O advogado diz que Suassuna nega que tenha decorado uma suíte exclusiva para Lula, como circula em redes sociais.

Sobre o sítio em Atibaia, o advogado diz que Suassuna e Fernando Bittar, também sócio de Lulinha, compraram na mesma época dois terrenos contíguos, mas com matrículas diferentes na prefeitura. Pimentel diz que Suassuna e Bittar não são sócios na propriedade. “Jonas nunca construiu nada no terreno e o que tem lá é uma casa de caseiro mal conservada”, afirmou o advogado.

Pimentel disse acreditar que Suassuna já tenha ido ao sítio de Fernando Bittar, mas que Lula não frequenta a propriedade de seu cliente, até porque não há lugar para se hospedar.

A respeito do apartamento onde Lulinha vive, em São Paulo, o advogado informou que o filho do ex-presidente Lula paga aluguel mensal a Suassuna, declarado no Imposto de Renda. Pimentel não soube informar quando e em que cirscunstâncias Suassuna conheceu Lulinha, mas disse que a amizade entre os dois se mantém. Segundo o advogado, o cliente tem reclamado de notícias “que não procedem”, veiculadas nas últimas semanas. “Para ele, é um momento de exposição muito ruim, é um massacre”, afirmou.

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