1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Vídeo revela que houve fraude na investigação da CPI da Petrobrás

O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2014 | 12h 08

Graça Foster e ex-diretores da estatal receberam com antecedência perguntas que seriam feitas a eles em investigação sobre a empresa

Dida Sampaio/Estadão
A CPI da Petrobrás no Senado foi instalada após o Estado revelar em março que a presidente Dilma Rousseff votou favoravelmente à compra de 50% da refinaria de Pasadena

Atualizada às 15h23

BRASÍLIA - A atual presidente da Petrobrás, Graça Foster, e ex-diretores da estatal receberam com antecedência as perguntas que seriam feitas a eles por integrantes da CPI do Senado que investiga irregularidades na empresa. As questões foram elaboradas, segundo reportagem publicada neste sábado, 2, na revista Veja, por um assessor especial do Palácio do Planalto e por assessores das lideranças do governo e do PT na Casa. 

A reportagem descreve diálogos gravados em um vídeo de 20 minutos entre o chefe do escritório da Petrobrás em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, ligado a Graça Foster; o advogado da empresa Bruno Ferreira; e um terceiro personagem, desconhecido. A gravação teria sido feita por meio de uma microcâmera inserida em uma caneta que estava de posse de um dos presentes na reunião. A revista não informa o autor das imagens.

A CPI da Petrobrás no Senado foi instalada após o Estado revelar em março que a presidente Dilma Rousseff votou favoravelmente à compra de 50% da polêmica refinaria de Pasadena (EUA). À época da negociação, a petista era ministra da Casa Civil e comandava o Conselho de Administração da Petrobrás. Confrontada pelo Estado, Dilma disse que só apoiou a medida porque recebeu “informações incompletas” em um parecer “técnica e juridicamente falho”. 

No diálogo, Barrocas cita o assessor especial da Secretaria Especial de Relações Institucionais, Paulo Argenta; o assessor da liderança do governo do Senado Marco Rogério de Souza; e o assessor da liderança do PT na Casa, Carlos Hetzel, como os autores das questões feitas na CPI do Senado. “Perguntei quem é o autor dessas perguntas. Oitenta por cento é do Marcos Rogério. O Carlos Hetzel fez alguma coisa. O Argenta fez outras”, revela o diálogo. A estratégia de combinar perguntas e respostas teria sido colocada em prática em 20 de maio, quando o ex-presidente da Petrobrás Sérgio Gabrielli depôs na CPI. 

Na ocasião, o relator da comissão, senador José Pimentel (PT-CE), teria dado o “gabarito” a Gabrielli. Para fazer chegar o material ao ex-presidente da estatal, Pimentel teria recorrido ao ex-presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra, que hoje ocupa cargo de direção na empresa, e à atual presidente da estatal, Graça Foster. O mesmo procedimento teria ocorrido com ex-diretor Internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, autor do relatório que serviu de base para que o Conselho Administrativo da estatal autorizasse a compra da refinaria de Pasadena, em 2006.