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Vicentinho recebe dados de Mercadante e defende Dilma sobre Pasadena

EDUARDO BRESCIANI - Agência Estado

20 Março 2014 | 18h 33

Em discurso na Câmara, líder petista reafirmou que Petrobrás não tinha conhecimento sobre cláusulas que levaram ao prejuízo e que estatal entrou em batalha jurídica com empresa belga

O líder do PT na Câmara, Vicentinho (PT), leu em plenário um discurso em defesa de Dilma Rousseff no caso da compra pela Petrobrás de uma refinaria em Pasadena, Texas. Ele afirmou que os dados de seu discurso foram repassados pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), que o telefonou pedindo que falasse em plenário. Pela manhã, a oposição dominou a tribuna com ataques a presidente.

O Estado mostrou que Dilma deu aval, como presidente do Conselho da Petrobrás, para a compra que resultou em um prejuízo bilionário para o País. Ela afirma que a decisão foi tomada com base em um "resumo executivo" com informações "incompletas" e tecnicamente "falho".

"O ministro Mercadante me ligou e me disse: vou te mandar os dados. Aí eu vim fazer o discurso", contou Vicentinho.

No pronunciamento, o líder petista diz que a negociação para a compra ocorreu antes da descoberta do pré-sal e da crise financeira de 2008. Diz que a compra fazia parte de uma estratégia da empresa de ampliar a capacidade de refino de óleo pesado no exterior. Ele destaca que após ter comprado a refinaria em 2005 por US$ 42 milhões a belga Astra, que passou a ser sócia da Petrobrás, investiu R$ 84 milhões antes de vender metade do empreendimento à estatal brasileira. Segundo ele, dos R$ 360 milhões pagos em 2006, US$ 170 milhões se referiam a estoque de petróleo. Sustentou que a Petrobras pagou 25% a menos do que o valor médio das transações de operações de refino nos Estados Unidos naquele ano.

Vicentinho reforçou a declaração de Dilma de que o resumo executivo que balizou a decisão do Conselho de Administração não continha as cláusulas que levaram ao prejuízo no negócio: Put Option, que obrigava a Petrobrás a adquirir a outra metade da refinaria em caso de divergência com a Astra, e Marlim, que assegurava rentabilidade mínima de 6,9% à empresa belga. Para ele, a informação é verdadeira porque em 2008 o mesmo Conselho se recusou a comprar o restante da refinaria e a Petrobrás entrou em uma batalha jurídica com a empresa belga. Somente em 2012 houve o acordo que culminou com a compra após decisões judiciais favoráveis a Astra.

Em entrevista após o discurso, Vicentinho diz não ver motivo para CPI. "Tem muita onda e muita gente gosta de surfar", ironizou.

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