VANESSA CARVALHO/BRAZIL PHOTO PRESS
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Vice-presidente é o principal articulador da mudança eleitoral

Temer conversa com lideranças de partidos a fim de garantir apoio para proposta, contestada por outras legendas

Débora Bergamasco, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2015 | 23h00

Brasília - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), articula a discussão e aprovação do “voto distritão” com partidos da base e adversários. Para ele, a parcela do PT contrária à proposta pode ser convencida a mudar de ideia por meio de “intenso diálogo” ou então ser derrotada pela maioria do Congresso no voto. 

Se vingar, a ideia mudaria o atual sistema de eleger deputados federais, que é proporcional. Com a mudança, seriam eleitos para a Câmara os candidatos mais votados em seus Estados, assim como ocorre na disputa para senadores e cargos do Executivo. 

Temer já conversou com o ministro das Cidades e presidente do PSD, Gilberto Kassab, com o deputado federal Miro Teixeira (PROS-RJ), com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e com o senador José Serra (PSDB-SP). Segundo ele, todos são a favor de afinar projetos para propor o “distritão”. Também afirmou que deve conseguir o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para a causa. 

“Sinto que hoje há uma receptividade muito grande para realizar a reforma política e, dentro dessa reforma, o tema principal é exatamente o sistema de eleição. Há ambiente, estou sentindo”, afirmou o vice-presidente, que na edição de ontem do Estado publicou artigo defendendo o novo modelo. 

Defensor da reforma política e da mudança no modo de eleger os deputados federais desde quando era membro da Câmara, Temer afirma: “O povo não entende como um sujeito que teve 300 votos chega à Câmara dos Deputados e quem teve 120 mil fica fora. Quando você explica a nova ideia, as pessoas entendem e aderem imediatamente”. 

Resistência. Embora pareça simples, é um item polêmico da reforma política. Uma grande parcela do PT é resistente à proposta e propõe o “voto em lista”, que significa que cada coligação ofereceria ao eleitor uma relação com os nomes dos candidatos da aliança e caberia ao eleitor votar em uma dessas listas. Na visão de petistas, isso permitira o fortalecimento dos partidos. 

Para romper essa resistência, Temer defende gastar saliva. “Acredito que depende de diálogo. À medida que haja essa compreensão popular, vai ficar mais fácil de convencer o partido.” Entretanto, caso o PT ainda se oponha à proposta, ele aposta em derrotar o aliado em votação. 

“Fala-se muito na eliminação das coligações partidárias. Se adotar o voto majoritário, seus partidos não vão fazer mais coligação na proporcional, porque não há interesse. E em vez de lançar 105 candidatos, como fizemos em SP, para obter o quociente eleitoral, lançaria dez. Com isso, a pregação durante a campanha torna-se mais programática e não essa de puxador de voto”, argumenta Temer. 

O vice-presidente defende mudanças também para a eleição de parlamentares regionais. “No caso dos deputados estaduais e dos vereadores em municípios com mais de 200 mil eleitores, por exemplo, eu optaria pela fórmula do distrital misto: ou seja, metade seria eleita pelo voto majoritário, sem quociente eleitoral, e a outra metade pelos distritos (subdivisões regionais dentro de um Estado ou município).” 

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