Vice-líder do PPS abre representação contra Cunha por suposta quebra de decoro

Arnado Jordy sustenta que há contradições entre declarações dadas pelo presidente da Câmara em março sobre contas no exterior que ele nega ter

Daniel Carvalho e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 09h52

BRASÍLIA - O vice-líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA), vai protocolar na tarde desta quarta-feira, 7, uma representação na Corregedoria da Câmara contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por suposta quebra de decoro. Jordy vai apontar contradição entre as declarações dadas por Cunha em março na CPI da Petrobrás e as informações do Ministério Público da Suíça, que afirma que o peemedebista tem contas no exterior. Uma outra representação também deve ser apresentada nesta quarta por um grupo de parlamentares de PSOL, PSB, Rede, PT e PMDB.

Em 12 de março deste ano, Eduardo Cunha foi voluntariamente à CPI que investiga o esquema de corrupção da Petrobrás. "Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu imposto de renda", afirmou à época. Em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral para disputar as eleições de 2014, Cunha disse ter apenas uma conta no banco Itaú.

"As referidas contas jamais foram declaradas no Imposto de Renda do parlamentar, tampouco constam de sua prestação de contas junto ao TSE. Mais do que isso, em várias oportunidades, perante seus pares e a imprensa, o presidente da Casa negou possuir contas no exterior", diz Jordy no documento que será apresentado.

"O Brasil já passa por uma crise política e econômica de grande estatura. O Parlamento não pode deixar que uma crise moral ainda se instale dentro de seus próprios quadros, sobretudo na figura do seu próprio presidente", afirma Jordy na representação. "Sendo confirmadas as acusações, requer a esta Corregedoria que analise a conduta do deputado Eduardo Cunha em face do Código de Ética e Decoro Parlamentar, para decidir sobre o eventual envio dos autos ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, a fim de que aprecie a quebra de decoro, aplicando, por conseguinte as penalidades previstas", conclui.

Esta não deve ser a única representação protocolada nesta quarta-feira. O líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), disse ontem ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que parlamentares de seu partido e outras quatro legendas também representarão nesta quarta-feira contra Cunha. O objetivo da representação é que a Mesa da Casa dê um parecer que permita que seja instaurado um processo de cassação de mandato no Conselho de Ética, da Câmara. Na prática, essa seria a primeira tentativa de retirar Cunha da presidência da Casa.

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