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Vereadora acha que denúncia contra Kassab é 'eleitoral'

JOSÉ ROBERTO CASTRO - Agência Estado

17 Janeiro 2014 | 13h 32

A líder do PSD na Câmara Municipal de São Paulo, vereadora Edir Sales, disse acreditar que a denúncia de que o ex-prefeito Gilberto Kassab teria recebido "uma verdadeira fortuna" da empresa Controlar tem motivação eleitoral. "É muita coincidência. Ele anunciou que é candidato ao governo antes de ontem. Em seguida vem essa avalanche. Eu vejo muito a questão política, a candidatura dele incomoda muita gente", afirmou.

Questionada sobre quem a candidatura de Kassab ao governo de São Paulo incomodaria, a vereadora respondeu: "Os dois: incomoda o PT e o PSDB."

A vereadora rechaçou a possibilidade de a denúncia colocar fim ao projeto de Kassab para o governo do Estado em 2014. "Nenhuma notícia negativa ajuda", afirmou. "Mas daí a declarar sepultada a candidatura dele já é exagero. Quem pensa isso é oposição."

A vereadora acredita que o ex-prefeito vai conseguir provar sua inocência. "É gravíssima (a denúncia), mas não vejo isso como sendo verídico", disse Edir Sales, que saiu do DEM juntamente com o ex-prefeito para fundar o PSD em 2011.

O líder do PT na Câmara Municipal, vereador Alfredinho, também considerou grave a denúncia contra o ex-prefeito. "Quando é com uma autoridade do peso do ex-prefeito, é sempre preocupante. Mas é preciso ter cautela, é preciso ter provas concretas", pondera.

A denúncia foi feita em depoimento no fim de dezembro por uma testemunha protegida considerada chave em inquérito no Ministério Público Estadual. Em depoimento, a testemunha disse ter ouvido que o ex-prefeito de São Paulo recebeu "verdadeira fortuna" da Controlar, empresa responsável pela inspeção veicular, e que o dinheiro ficou guardado em seu apartamento.

A testemunha acusou ainda o companheiro de partido de Alfredinho, o vereador e ex-secretário Antônio Donato, de ter cobrado dinheiro para arquivar a CPI do IPTU, criada em 2009 para investigar supostas falhas na arrecadação do imposto na gestão Kassab. Donato e o vereador Aurélio Miguel (PR) teriam pedido R$ 5 milhões ao auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues para que a CPI fosse arquivada. Os dois vereadores negam as acusações.

Alfredinho afirmou, porém, que o fato de as investigações citarem membros do PT não diminuirá o ímpeto da Prefeitura na apuração da máfia do ISS que vem sendo realizada pela Controladoria-Geral do Município. Ele garante que o partido nunca pediu ao prefeito Fernando Haddad que interferisse no caso. "O PT não interfere nas investigações. Em nenhum momento a bancada procurou o prefeito para interferir. Ele deu carta branca ao corregedor, autonomia", disse o vereador.