Velloso diz que dá resposta hoje ao presidente

Velloso diz que dá resposta hoje ao presidente

Ex-presidente do STF aguarda definição sobre cancelamento de contrato com uma empresa internacional cliente de seu escritório de advocacia para aceitar convite de Temer para assumir Ministério da Justiça

Igor Giannasi, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2017 | 00h46

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso afirmou na noite desta quinta-feira, 16, que só espera a resposta sobre o cancelamento de contrato com uma empresa internacional cliente de seu escritório de advocacia para aceitar o convite do presidente Michel Temer para assumir o Ministério da Justiça. “Eu quero servir o meu país”, disse Velloso ao Estado

Segundo Velloso, ele transmitiu a Temer, às 21h30 desta quinta-feira, que estava “tentando afastar questões pertinentes a contratos” que exigem a participação direta dele para dar a resposta definitiva ao presidente. A questão foi encaminhada para ser avaliada pelo setor de compliance da multinacional. De acordo com o ex-presidente do STF, o prazo limite combinado com Temer para a decisão é esta sexta-feira, 17. 

Caso assuma o Ministério da Justiça, Velloso terá de deixar de atuar como advogado, seguindo o Estatuto da Advocacia. 

Aécio. Um dos clientes de Velloso é o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). O ex-presidente do STF atua em dois inquéritos que o tucano responde no STF. “Fui amigo de Tancredo Neves, avô de Aécio, e de Aécio Cunha, pai de Aécio. E sou amigo de Aécio desde os seus 22 anos, quando o conheci, em Belo Horizonte. Sou seu advogado nesses dois casos, em razão dessa amizade”, afirmou Velloso ao Estado, mais cedo, por e-mail. Ele disse também que atua para o tucano “sem cobrar honorários advocatícios”. “Há outros advogados com procuração nos autos.”

As duas investigações contra Aécio têm origem na delação premiada do senador cassado Delcídio Amaral (ex-PT e ex-PSDB, atualmente sem partido), preso em novembro de 2015 acusado de tramar contra a Lava Jato. 

O senador cassado acusou Aécio de atuar para maquiar dados do Banco Rural na CPI dos Correios (presidida por Delcídio) que poderiam atingir membros do PSDB e também de receber propinas em um esquema de corrupção em Furnas. O senador rechaça as suspeitas.

Os dois inquéritos estão sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Em dezembro, o tucano prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito sobre a CPI dos Correios – na época, Aécio era governador de Minas. No caso de Furnas, o tucano é investigado por suposto recebimento de propina de empresas terceirizadas que mantinham contrato com a estatal. Na terça-feira, o presidente Michel Temer se encontrou com Velloso e também com Aécio. 

Velloso já foi filiado ao PSDB de Minas e chegou a ser anunciado como secretário extraordinário de Relações Institucionais para o segundo mandato do tucano no Estado. Ele foi também autor de parecer jurídico que dizia que o aeroporto construído pelo governo estadual em Cláudio (MG), em terras de um parente do senador, durante a gestão de Aécio, não feria a legislação. / COLABORARAM MATEUS COUTINHO e LEONARDO AUGUSTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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