Reprodução/Acervo Estadão
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Veja a saída de Eduardo Cunha da Telerj, em 1993, relatada em diário por Fernando Henrique

Foi na noite de uma terça-feira, 27 de abril de 1993, que Eduardo Cunha renunciou à presidência da Telerj, estatal de telecomunicações do Rio de Janeiro. Na época, Cunha era lembrado por ter atuado como tesoureiro na campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, meses antes afastado do cargo por um processo de impeachment que culminou em sua renúncia ao mandato. No dia seguinte, o hoje deputado pelo PMDB do Rio foi substituído pelo então advogado-geral da União do governo Itamar Franco, José de Castro Ferreira, como noticiou o Estado (clique aqui para ler a reportagem da época).

O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 12h23

A saída de Eduardo Cunha da Telerj é citada em trecho de Diários da Presidência revelado nesta segunda-feira pela revista piauí. A obra em quatro volumes transcreve gravações feitas por Fernando Henrique Cardoso durante seus dois mandatos (1995-2002) - o primeiro livro será lançado neste mês pela Companhia das Letras. 

"Cunha entregou uma carta ao presidente do Conselho de Administração, Roberto Blois, em que alega motivos pessoas para 'renunciar ao cargo'", dizia reportagem do Estado de 29 de abril de 1993. Segundo o texto, Cunha negou vinculações com o esquema de PC Farias, que havia sido investigado por uma CPI e levado à queda de Collor. "A Telerj nunca foi investigada e contra ela não foi levantada qualquer suspeita", escreveu Cunha, segundo quem teria havido "manifestação do governo de querer dispor do cargo" na Telerj.

Já na Presidência, FHC disse ter sido procurado pela bancada de deputados do Rio, que queriam indicar Cunha para uma diretoria na Petrobrás. O então presidente rejeitou a noemação. E registrou em suas gravações: "O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo de Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor. Eu fiz sentir que conhecia a pessoa e que sabia que havia resistência, que eles estavam atribuindo ao Eduardo Jorge; eu disse que não era ele e que há, sim, problemas com esse nome. Enfim, não cedemos à nomeação".

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