Vazamento de delação é desespero para mudar rumo da campanha, afirma ministro

Gilberto Carvalho chama de 'boataria' informações de que ex-diretor da Petrobrás vinculou aliados do PT a caso de propina

Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2014 | 12h57

BRASÍLIA – O vazamento “parcial” dos depoimentos do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa à Polícia Federal e ao Ministério Público, segundo os quais os desvios de recursos na estatal irrigaram o caixa dos partidos da base aliada, são “um pouco de desespero para mudar o rumo da campanha”, disse neste domingo o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, após o encerramento do desfile do Dia da Independência.

“Vazamento sempre é condenável porque pode ter sido feito por advogado de réu para protegê-lo”, disse. Ele acrescentou que, por enquanto, as informações são precárias e frisou que o governo não pode agir em cima de “boataria” e “denúncia que no momento é sem comprovação, sem fundamento.” “Ninguém tem de ficar muito preocupado enquanto não tiver acesso ao inteiro teor dessa dita denúncia”, minimizou.

Segundo a revista Veja desta semana, o ex-diretor da Petrobrás teria mencionado vários nomes de supostos beneficiários do esquema. É o caso dos governadores do Maranhão, Roseana Sarney, e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, além do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no último dia 13. “Um está morto e não pode nem se defender”, disse Carvalho.

Questionado sobre o fato de a denúncia atingir em cheio a base aliada do governo no Congresso, o ministro reagiu: “Meu irmão, eu não aceito e não posso tomar como denúncia contra a base aliada uma boataria de um vazamento de um procedimento que eu não sei qual é.” O papel desses partidos, acrescentou é estar “perfilada em apoio aos projetos que estão mudando o País.”

A campanha, avaliou, não será afetada. Ele acrescentou que, a partir de segunda-feira, entrará em férias para auxiliar na interlocução com os movimentos sociais.

Acuado pelas novas revelações, o governo decidiu partir para o contra-ataque. “Sem a reforma política e sem acabar com o financiamento empresarial de campanha, não temos como acabar com a corrupção”, decretou Carvalho. “Isso (corrupção) é com todos os partidos. Infelizmente, não há nenhuma exceção.” No final da manhã, a presidente Dilma Rousseff recebeu um grupo de jovens para discutir a reforma política. O site da campanha petista dá apoio a um plebiscito popular sobre o tema.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, evitou fazer maiores comentários sobre o caso, alegando que o inquérito corre em sigilo. “Não se pode fazer nenhuma valoração a respeito”, disse. Mas ele ressaltou que “é muito importante que se faça a investigação e se esclareça.” E desconversou ao ser perguntado se haveria agilidade na investigação. “A Polícia Federal e o Ministério Público estão fazendo as apurações dentro daquilo que a lei determina.”

Mais conteúdo sobre:
petrobras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.