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Vargas deve voltar à Câmara após Semana Santa, antes do fim de licença

Daiene Cardoso e Eduardo Bresciani - Agência Estado

11 Abril 2014 | 13h 29

Petista acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef não vai cumprir os 60 dias de afastamento; deputado precisa formalizar sua renúncia da vice-presidência à Mesa Diretora da Casa

(Atualizado às 22h45) Brasília - Acusado de manter relações próximas com o doleiro Alberto Youssef, o deputado licenciado André Vargas (PT-PR) deve retornar à Câmara após a Semana Santa. Segundo a assessoria de imprensa do petista, o parlamentar indicou que não pretende cumprir os 60 dias de licença e retomará o mandato enquanto responde a um processo disciplinar no Conselho de Ética e a uma representação na Corregedoria da Casa.

Embora tenha anunciado a renúncia da 1.ª vice-presidência da Câmara, o deputado ainda não levou a decisão à Secretaria-Geral da Mesa Diretora. Sem esse procedimento, o processo de escolha do sucessor fica comprometido. Anteontem, o presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) disse querer marcar a eleição na última semana do mês. A assessoria de Vargas informou que, como ele não está em Brasília, a formalização da renúncia ocorrerá após o feriado.

A cúpula do PT busca uma solução para evitar que a sucessão de Vargas reacenda um confronto interno na bancada. O deputado, que integra a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), foi eleito após derrotar Paulo Teixeira (SP), da Mensagem ao Partido. Isso faz com que os dois grupos considerem-se sucessores naturais para a vaga.

A Mensagem defende que Teixeira assuma o cargo. Já a CNB apresenta, nos bastidores, o nome do ex-líder da bancada, José Guimarães (CE). A tensão aumenta porque há a perspectiva de que o nomeado seja o candidato natural do partido à presidência da Câmara em 2015. Nenhum nome, porém, ainda foi indicado publicamente.

A direção nacional do PT não pretende se intrometer na escolha, mas já avisou que a palavra de ordem é evitar divisão na bancada. Nesse sentido, deputados sem vinculação direta com os envolvidos defendem uma solução "tampão": um parlamentar que não tenha ligações próximas com interessados na disputa nem interesse em disputar a presidência da Casa.

Solução feminina. Os nomes mais mencionados para essa terceira via são de mulheres, duas das quais ex-ministras do governo Dilma Rousseff. As mais cotadas são Maria do Rosário (RS), ex-titular da Secretaria de Direitos Humanos; e Iriny Lopes (ES), também ex-ministra, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Outro nome ventilado é o da deputada Benedita da Silva (RJ).

Paralelamente à indicação de um nome da bancada feminina, parlamentares apontam o ex-ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais e Pesca) como alguém de perfil conciliador. Os petistas dizem que o clima interno é para escolha de um nome consensual. "Deve entrar alguém da turma da paz", previu o deputado Vicente Cândido (SP).

Embora o racha na bancada do PT na Câmara venha desde a disputa pela presidência da Casa, em 2010, há um receio de que expor publicamente essa divisão traga mais problemas para o partido e para o governo Dilma Rousseff, que perdeu popularidade nos últimos tempos.