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Vamos sair do governo pela porta da frente, como entramos, diz Aécio

Presidente licenciado do PSDB nega que presença da sigla no governo seja ‘fisiológica’, mas admite que há ‘convencimento de todos’ sobre desembarque

Pedro Venceslau e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2017 | 15h18

São Paulo - Dois dias depois de destituir o senador Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do partido, participou da convenção tucana em Minas Gerais que reelegeu seu aliado, o deputado Domingos Sávio, presidente da legenda no Estado. Em entrevista no final do evento, neste sábado, 11, Aécio reconheceu que o PSDB deixará em breve o governo Michel Temer, mas criticou os "cabeças pretas", ala que faz oposição ao Palácio do Planalto. "Vamos sair do governo pela porta da frente, da mesma forma que entramos", disse o senador.

De acordo com o senador, há no PSDB "um convencimento de todos" de que está chegando o momento de deixar o governo. "Quero sugerir aos dois candidatos (à presidência do partido) que convoquem os ministros do PSDB para uma reunião e que definam o momento da saída". Aos jornalistas, Aécio afirmou que, após a posse de Temer, chegou a "aventar" Tasso Jereissati para ocupar o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

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Segundo Aécio, há no partido uma "falsa discussão" sobre a permanência ou debandada dos tucanos da Esplanada dos Ministérios. "Vejo uma falsa discussão, como se essa fosse a questão central: sai ou não do governo. Isso só serve aos interesses de uma eleição interna", afirmou. "Não posso aceitar a pecha de que a presença do PSDB no governo é fisiológica".

"Não vejo os cabeças pretas defenderem as reformas com o mesmo ímpeto que defendem a saída do governo. Boa parte desta discussão é uma desculpa para não votar a agenda de reformas", disse Aécio. "A juventude nos estimula com ideias, mas não é por si só sinônimo de virtude. "Adenauer, com mais de 70 anos de idade, reconstruiu a Alemanha, e Nero, com 20 anos, botou fogo em Roma", afirmou o tucano, se referindo ao chanceler alemão Konrad Adenauer, e ao imperador romano

Disputa interna. Sobre a destituição de Tasso e a indicação do ex-governador Alberto Goldman para ocupar a presidência interina do PSDB, Aécio afirmou que agiu "com a responsabilidade de sempre".

Ao falar sobre esse ponto, o senador cometeu um ato falho. "No momento em que indiquei Tasso para assumir a presidência da República (sic), o fiz pelo fato de ele não ser candidato à própria reeleição. Não seria lícito que eu indicasse alguém para a interinidade e esse alguém a utilizasse para construir uma candidatura". Aécio disse ainda que, quando sugeriu o nome de Tasso para assumir o cargo, assumiu com isso um desgaste e contrariou a posição "unânime" da bancada federal que, segundo ele, apresentava o nome de outro candidato.

Após ser flagrado em um áudio pedindo empréstimo a Joesley Batista, Aécio se afastou da presidência do partido. Naquele momento, o favorito da bancada era o deputado federal Carlos Sampaio (SP), da ala dos “cabeças pretas”.

2018. Alvo de oito inquéritos e de uma denúncia perante o Supremo Tribunal Federal, Aécio Neves disse, neste sábado, que "estará nas urnas" no ano que vem. O senador não quis deixar claro a qual cargo pretende se candidatar, mas afirmou não haver "cogitação" de tentar vaga na Câmara dos Deputados. 

O senador comentou também a possibilidade de o apresentador Luciano Huck, ser candidato à Presidência da República. "É um pouco a falência política. É o momento de desgaste generalizado. O Luciano é um sujeito capaz, muito inteligente, agora, o Brasil vai precisar conhecer o que ele pensa. Nas mais variadas questões. O tempo é que vai dizer se ele está ou não preparado".

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