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'Vamos para o enfrentamento', diz favorito a vice na Câmara sobre CPI

Vera Rosa - O Estado de S. Paulo

10 Abril 2014 | 19h 35

José Guimarães (PT-CE) , favorito para substituir André Vargas, defende CPI 'ampla, geral e irrestrita' e acordo com PMDB no Ceará para proteger a presidente Dilma; para ele, a eleição 'não é fácil'

Favorito para substituir o colega André Vargas, que renunciou à vice-presidência da Câmara após o Conselho de Ética abrir processo de cassação contra ele, o deputado José Guimarães (PT-CE) pode encerrar a disputa petista pela vaga por ter o apoio de várias tendências do partido. Vice-presidente nacional do PT, Guimarães defende a tática do confronto com o PSDB e o PSB e uma CPI "ampla, geral e irrestrita" para investigar não apenas a Petrobrás como o cartel do Metrô em São Paulo e denúncias de irregularidades no Porto de Suape, em Pernambuco.

"O risco que corre o pau, corre o machado. Então, vamos para o enfrentamento", disse Guimarães, que é irmão do ex-deputado José Genoino, condenado no processo do mensalão. "O PT não pode ficar na defensiva."

Estado - O sr. foi lançado pelo PT do Ceará como pré-candidato ao Senado. Agora, porém, dirigentes do partido dizem que o sr. deve substituir o deputado André Vargas na vice-presidência da Câmara, podendo disputar o comando da Casa em 2015. O sr. vai aceitar?

Guimarães - O que o PT indicar eu vou assumir. Entendo que missão é missão. Mas não vou disputar cargo na bancada. Sou um homem do projeto nacional do PT e estou aqui para servir o governo Dilma, o ex-presidente Lula e o meu partido.

Estado -- Assumir a vice-presidência da Câmara seria o primeiro passo para o sr. desistir de ser candidato ao Senado pelo Ceará?

Guimarães - Não necessariamente. O PT tem chances de eleger mais um senador, mas, evidentemente, não posso deixar de avaliar qual o chamamento que melhor atende ao projeto do governo e do partido. Em política sempre há margem para a construção de outras possibilidades.

Estado - O sr. vai trabalhar para enterrar a CPI da Petrobrás?

Guimarães - Nós temos de fazer uma CPI ampla, geral e irrestrita. Não pode ter meio termo. O risco que corre o pau corre o machado. É uma expressão que se usa no Nordeste e reflete muito bem esse momento. Vamos para o enfrentamento. Por que não investigar o cartel do Metrô em São Paulo, no governo do PSDB, e o Porto de Suape, na administração do Eduardo Campos, em Pernambuco? O PT não pode ficar na defensiva. A defesa da Petrobrás é nossa obrigação.

Estado - A disputa do PT com o PMDB no Ceará não causa mais um racha na aliança de apoio à reeleição da presidente Dilma? O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, quer concorrer ao governo do Ceará e rejeitou até um ministério como moeda de troca, mas o PT defende o candidato do governador Cid Gomes (Pros), contra o PMDB. Como contornar a crise?

Guimarães - Se depender do PT nós vamos manter a aliança com o Pros (do governador Cid Gomes) e com o PMDB no Ceará. Os tensionamentos são naturais do processo, mas não dou essa questão como vencida. Se você me perguntar se vai dar crise, eu digo: "Vamos aguardar". Não é uma eleição fácil. Mas a capacidade de interação entre nós é a chave para a construção de uma ampla maioria, confortável à presidenta Dilma no Ceará, para compensar eventuais perdas na Bahia e em Pernambuco. Precisamos a todo custo evitar brigas. É um erro haver três ou quatro palanques (da base aliada) no Ceará. A pulverização é ruim para a campanha majoritária (da presidente Dilma) porque a gente sabe como isso começa, mas não sabe como termina.

Estado - Quantos candidatos próprios o PT terá aos governos estaduais, na região Nordeste?

Guimarães - O plano do PT para o Nordeste é disputar com dois candidatos próprios ao governo, na Bahia e no Piauí, e quatro ao Senado (Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Sergipe). Nos demais Estados do Nordeste pretendemos apoiar nomes de partidos aliados. Por enquanto, o PMDB só apoia o PT no Distrito Federal e pode ocorrer uma aliança em Minas. O PT, por sua vez, avaliza candidaturas do PMDB em sete Estados (Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pará, Amazonas, Tocantins e Maranhão). Estão em discussão, ainda, parcerias em Rondônia, Roraima e em Goiás, dependendo do candidato.

Estado - E como enfrentar a candidatura de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e até há pouco tempo integrante da base aliada?

Guimarães - Ninguém tem um legado tão forte quanto Lula e Dilma no Nordeste. Com essa credencial, não podemos ter medo do confronto, seja ele com quem for. Dilma faz hoje pelo Ceará o que Lula fez por Pernambuco. Tudo o que Eduardo Campos conquistou em Pernambuco teve o dedo do governo federal. Então, o Nordeste cresceu em ritmo chinês e hoje não é problema. É solução.