JF Diorio/Estadão
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Vaccari: Do movimento sindical à burocracia partidária

Tesoureiro do PT, investigado pela Operação Lava Jato, está no partido desde a fundação da legenda

O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2015 | 02h03

Atualizado às 15h44

Principal responsável por administrar o orçamento milionário do PT - R$ 127 milhões em 2013 - e garantir o funcionamento da máquina partidária, João Vaccari, de 55 anos, está na legenda desde sua fundação. Sua carreira política foi construída no movimento sindical dos bancários.

Em 1978, aos 19 anos, deixou a casa dos pais, produtores rurais em Lucélia (SP), depois de passar em um concurso para escriturário no Banespa. Na primeira agência onde trabalhou, conheceu integrantes da resistência à ditadura, já em seus estertores, e passou a militar no movimento sindical. Avesso aos holofotes, Vaccari tornou-se figura pública em 2005, ao suceder a Delúbio Soares, condenado no mensalão, na tesouraria do PT. Ele foi levado pelo então presidente do partido, Ricardo Berzoini.

Em 2010, Vaccari virou réu em um processo por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro da Bancoop, cooperativa habitacional do Sindicato dos Bancários, do qual foi presidente. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a Bancoop gerou prejuízo de R$ 70 milhões aos cooperados, na maior parte bancários como ele próprio.

Durante as campanhas petistas, teve a tarefa de passar o chapéu entre possíveis doadores. Em 2013 o PT recebeu R$ 79,7 milhões, grande parte de empreiteiras que têm contratos com governos petistas. Entre elas Odebrecht, Camargo Corrêa, UTC e Andrade Gutierrez, que, juntas, doaram R$ 21 milhões ao PT e foram citadas pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa como pagadoras de propinas por contratos com a estatal.

Além disso, dizem petistas, Vaccari ajuda informalmente a arrecadar e pagar contas das campanhas de candidatos do PT a diversos cargos eletivos.

Em nota, a Andrade Gutierrez afirmou que nunca repassou valores para Paulo Roberto Costa e que os contratos entre a empresa e a Petrobrás foram firmados dentro das normas legais. "[A Andrade Gutierrez] reitera que não fez parte das ações que são hoje alvo das investigações da Operação Lava Jato", diz o texto.

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