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USP inaugura escultura em homenagem a Ana Kucinski

Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo

22 Abril 2014 | 22h 43

Quarenta anos após sequestro de professora por agentes da ditadura, universidade corrige 'equivoco' e anula sua demissão por abandono de emprego

São Paulo - A Congregação do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) inaugurou nesta terça-feira, 22, no câmpus da instituição, em São Paulo, uma escultura em homenagem à professora Ana Rosa Kucinski, desaparecida no período da ditadura militar, em 1974. A cerimônia foi uma homenagem prestada pela universidade à professora.

Na semana passada, a congregação anulou a demissão de Ana Rosa, mantida por 40 anos sob justificativa de abandono de emprego. A reavaliação do caso foi antecipada pelo Estado.

Após a universidade ter anulado a demissão, o diretor do Instituto de Química, Luiz Henrique Catalani, afirmou que a instituição estava corrigindo um "equívoco" cometido na época por ter ignorado relatos que indicavam que a professora foi sequestrada e morta durante a ditadura.

Para Catalani, a homenagem foi "apropriada". "Mostra nossa indignação com o fato de tantos colegas terem sido levados embora, presos, torturados e mortos pela repressão", afirmou o diretor do instituto.

Relatos colhidos pela Comissão da Verdade apontaram que Ana Rosa e o marido, ambos militantes da organização clandestina Ação Libertadora Nacional (ALN), foram presos em São Paulo, em 1974, e levados para a Casa da Morte, em Petrópolis, no Rio. Segundo a comissão, tratava-se de um dos principais centros clandestinos montados pela ditadura para interrogatório e extermínio de opositores. Os dois nunca mais foram encontrados.

O caso sobre a demissão de Ana Rosa Kucinski foi reaberto a pedido da Comissão da Verdade da USP, que também investigou o desaparecimento da professora. Segundo Catalani, o trabalho da comissão preencheu "lacunas" da antiga decisão da congregação. A professora Ana Rosa Kucinski foi demitida em 1975 por ordem da Reitoria da USP.

Em 1995, o irmão de Ana Rosa, o jornalista e professor da USP Bernardo Kucinski, pediu uma retificação formal sobre a demissão da irmã. Na época, a USP se corrigiu emitindo um parecer jurídico que não agradou à família.