Uma profusão de 'Genis' na 'lista de Fachin'

É impossível o PSDB atirar pedras no PT, o PT atirar pedras no PSDB ou qualquer partido atirar qualquer coisa contra os outros

Eliane Cantanhêde, O Estado de S. Paulo

12 Abril 2017 | 05h43

Com tantas e tão variadas “Genis” na “lista de Fachin”, é impossível o PSDB atirar pedras no PT, o PT atirar pedras no PSDB ou qualquer partido atirar qualquer coisa contra os outros. A lista atinge todo o mundo político, até mesmo o PMDB do presidente Michel Temer e o coração do seu governo.

Entre mortos e feridos, por enquanto, não se salva ninguém. Se os ex-presidentes do PT José Dirceu e José Genoino foram pegos desde o mensalão, agora os dois campeões, com cinco inquéritos cada um, são os presidentes do PSDB, Aécio Neves, e do PMDB, Romero Jucá.

Sem nomes inesperados, a surpresa é a proporção de senadores: 24, quase 30% do total de 81, contra 39 deputados, menos de 10% dos 513. Somados, esses alvos são mais do que suficientes para paralisar o Congresso, inclusive a votação da reforma da Previdência. Nem os presidentes do Senado, Eunício Oliveira, e da Câmara, Rodrigo Maia, escaparam.

Assim, Michel Temer (que não pode ser citado por fatos anteriores ao mandato) é atingido triplamente: além do impacto sobre as reformas, ele vê o seu partido duramente envolvido e o núcleo duro do Planalto balançando.

Depois de Geddel Vieira Lima, o risco é perder Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência. Esse foi o tripé que sustentou a chegada de Temer à Presidência e, como ele anunciou publicamente, ministros que forem denunciados serão afastados temporariamente e os que virarem réus, definitivamente. Ainda não foi o caso, mas pode vir a ser.

Os ex-presidentes Lula e Dilma deveriam estar entre aliviados e exultantes, mas a situação deles não é nem um pouco melhor, tanto que o PT e a própria Dilma já afunilam o discurso de que, se Lula for preso, isso será um “golpe” para tirá-lo de 2018 na marra. É um “hedge”.

Depois que o repórter Breno Pires publicou a “lista de Fachin” no Estado, com exclusividade, quem puder que atire a primeira pedra! Só a sociedade pode. Não contra um, mas contra todos. Uma política de Genis.

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