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Uma Dilma 'informal' tenta se reaproximar do agronegócio

NIVALDO SOUZA - Agência Estado

24 Maio 2014 | 14h 09

A informalidade deu tom ao jantar da presidente Dilma Rousseff com 44 representantes do agronegócio na noite de sexta-feira, 23, oferecido no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. Uma Dilma descontraída à mesa e mostrando conhecimento sobre os pleitos dos ruralistas surpreendeu os convidados, alguns dos maiores empresários do setor - entre eles o presidente da Monsanto, Rodrigo Santos, o sojicultor Eraí Maggi, maior produtor do grão no mundo.

O encontro fechou uma semana dedicada por Dilma ao agronegócio para evitar que o segmento abandone seu palanque de reeleição e migre para os candidatos de oposição Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE). "Foi uma conversa bem informal, onde ela mais ouviu do que falou. Ela está ansiosa porque a imprensa fala que todos os candidatos estão se aproximando do agronegócio e ela quis ouvir o setor", afirma o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Almir D''alpasquale.

No encontro, Dilma não fez promessas de governo, apenas ouviu demandas, falou dos projetos de infraestrutura e deu ordens para os ministros Neri Geller (Agricultura), Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário) e Aloizio Mercadante (Casa Civil) agilizarem a execução da agenda do agronegócio, o que inclui os R$ 156,1 bilhões do Plano Safra 2014/2015, que o dirigente da Aprosoja chama de "pacotaço de dinheiro" para financiar a produção.

O maior ausência do encontro foi a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, principal representante dos produtores de etanol. O setor sucroalcooleiro é um dos mais descontentes com o governo Dilma e tem sinalizado que pode apoiar Aécio Neves na corrida eleitoral. Os usineiros estão irritados com a política de controle do preço da gasolina para segurar a inflação, que acaba retirando competitividade do biocombustível na bomba dos postos de combustíveis, uma vez que as usinas não conseguem segurar o repasse dos custos de produção para valor final do álcool.

Diversidade

Dilma mudou de estratégia em relação à reunião feita na quinta-feira, 22, com representantes da indústria, quando chamou ao Palácio do Planalto apenas líderes de entidades de classe do setor produtivo. Com o agronegócio, ela mesclou empresários com presidentes de associações como a Aprosoja e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e embaralhou setores diversificados à mesa do jantar. Entre os presentes estavam o presidente da gigante química Bayer, Eduardo Estrada, e o vice-presidente da concorrente Basf, Eduardo Leduc.

Os fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas foi representado pela Case New Holland. A maior empresa do segmento é uma das beneficiadas pela retomada do Moderfrota, programa de crédito do plano safra que terá R$ 3,5 bilhões, até 2015, para financiar máquinas novas depois de três anos financiando apenas equipamentos usados. Interlocução com diversos setores do agronegócio fez a presidente ganhar a admiração dos empresários. "Ela conhece muito do agronegócio, isso me impressionou muito. Acho que o setor ficou surpreso, mas confortável porque ela foi muito humilde", diz Almir D''alpasquale.

As ações pró-ruralistas do governo vão incluir, ainda, o anúncio pela presidente do Plano Safra da Agricultura Familiar 2014/2015, na segunda-feira, 26, quando é esperado um montante superior a R$ 40 bilhões em incentivos ao pequeno agricultor. O plano anterior recebeu R$ 39 bilhões. Representantes desse segmento também serão convidados para um encontro com Dilma, encerrando o ciclo de afagos ao setor rural para assegurar apoio à reeleição.