Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Um executivo de carreira ao estilo de Joaquim Levy

Considerado neoliberal, engenheiro mostrou-se firme na vice-presidência de gestão financeira do Banco do Brasil

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2015 | 08h17

RIO - O engenheiro Ivan de Souza Monteiro costuma seguir um ritual antes de qualquer apresentação que faça em público: fica sozinho por alguns minutos, em silêncio, não atende telefone, não responde e-mail nem mensagens. Aqueles que trabalham com ele dizem que ele faz isso porque é tímido e fica nervoso. Mas quem o assiste não pode imaginar que haja ali qualquer traço de insegurança. É bem verdade, no entanto, que ele é mais seguro e falante nas rodas que se formam depois dos eventos.

Como vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do Banco do Brasil, Monteiro sempre se mostrou firme. É considerado um excelente e competente executivo por seus pares no mercado financeiro e também por boa parte de seus colegas de banco. Tem crédito perante investidores.

Assim como Aldemir Bendine, que agora assume a presidência da Petrobrás, Monteiro é considerado um executivo de carreira, que tem certo trânsito político que possibilitou a ele galgar postos no BB. Entrou no banco pela agência de Santa Rita de Sapucaí, em Minas Gerais, ainda na década de 80. Nos anos 2000, teve passagens pelas filiais de Nova York e Lisboa, onde foi gerente. Chegou a diretor comercial em maio de 2009 e poucos meses depois assumiu a vice-presidência, onde esteve até ontem.
Diferentemente de Bendine, Monteiro é considerado mais técnico que político. Sua origem é a “turma do banco” no Rio de Janeiro, onde viveu quase toda sua vida apesar de ter nascido em Manaus e ter feito faculdade em Minas.

Teria uma ligação natural com o PMDB, segundo afirmam algumas fontes. Como diz um ex-colega, “ele nunca foi ligado à esquerda”. “Tem um estilo Levy”, em referência ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, considerado um neoliberal pelos petistas.

Mas mesmo que seja visto com esse perfil a la “Chicago Boy”, Monteiro sempre buscou durante entrevistas coletivas, quando apresentava resultados do BB, ou mesmo nas teleconferências com investidores, ter uma resposta cuidadosa para qualquer questão que pudesse afrontar políticas de governo. Nunca se esquivou de perguntas, apesar de não necessariamente responder o que lhe era perguntado.

Na última coletiva, depois da apresentação do balanço, foi provocado sobre se o aumento das provisões para perdas de devedores duvidosos naquele trimestre teria sido em razão dos empréstimos a Val Marchiori, a socialite amiga de Bendine que recebeu R$ 2,7 milhões. Sem titubear, respondeu: “Esse assunto é com ele”, apontando para o assessor de imprensa e se retirando imediatamente do recinto.

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